SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
AGRUPAMENTO REGIONAL DAS UNIDADES FEDERADAS
Caderno do Aluno de Geografia – 6ª série/7º ano – Volume 2
Páginas 3 - 5
1.
a) Monocromático é aquilo que apresenta uma só cor. Assim, a escala
monocromática é aquela que apresenta diferentes tons de uma mesma cor. Na
imagem são apresentados, por exemplo, sete tons de uma única cor, organizados em
uma gradação do mais escuro (esquerda) ao mais claro (direita). No caso específico
do mapa, a escala monocromática foi escolhida porque se trata da representação de
uma única variável: o IDH. Nesse caso, as tonalidades mais claras estão associadas
aos menores índices e as mais escuras, aos maiores.
Como já apontado no Caderno do Professor, a escolha intencional da escala
monocromática em tons de azul para a elaboração dos mapas pode ser aproveitada
para salientar junto aos alunos o fato de que nem sempre, na cartografia, essa cor é
utilizada para a representação de superfícies aquáticas. No entanto, em função de
variações na impressão, é possível que alguns dos mapas do Caderno do Aluno não
saiam exatamente em tons de azul. Assim, professor, esteja atento à escala cromática
dos mapas presentes nos Cadernos da sua turma para fazer a exploração adequada a
respeito do papel da cor na cartografia.
b) Com exceção do Distrito Federal, os melhores índices estão concentrados no Sul
e Sudeste; os piores índices estão no Nordeste, especialmente no Maranhão, no Piauí,
na Paraíba, em Sergipe e em Alagoas. Os Estados situados nas regiões Norte e
Centro-Oeste, assim como Minas Gerais e Espírito Santo, apresentam índices
intermediários.
c) Com base no mapa, podemos agrupar os Estados brasileiros em quatro grandes
grupos. O primeiro, com índices relativamente mais elevados, é composto por Rio
3
Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Em um segundo grupo, entram Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas
Gerais e Espírito Santo. No terceiro, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e
Tocantins. Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Acre também podem
ser agrupados. Finalmente, Maranhão, Piauí, Paraíba, Sergipe e Alagoas compõem o
grupo dos Estados que apresentam os piores índices de IDH.
2. Espera-se que os alunos percebam o contraste existente em Minas Gerais. Enquanto
os municípios do Triângulo Mineiro e do sul de Minas Gerais estão mais próximos
da realidade paulista em termos de desenvolvimento humano, os municípios do norte
estão mais próximos da realidade nordestina.
Página 6
1. Em relação aos municípios de Pernambuco, os municípios de Minas Gerais,
especialmente aqueles localizados na porção central e sul, apresentam índices mais
elevados de IDH.
2. No mapa de Pernambuco, a situação do Recife é uma das melhores do Estado.
Porém, no mapa do Recife, observa-se que a desigualdade em termos de
desenvolvimento humano também ocorre no interior desse município.
Dessa forma, espera-se que os alunos percebam que, de acordo com a escala utilizada
na representação cartográfica, podemos visualizar aspectos diferentes de um mesmo
fenômeno. Seria interessante retomar o mapa “Índice de Desenvolvimento Humano
dos Estados Brasileiros, 2000” e analisar a situação de Pernambuco, que apresenta
nível relativamente baixo de IDH. No mapa de Pernambuco, Recife integra o grupo
de municípios de maior IDH. Finalmente, no mapa do Recife, percebe-se que
existem um forte contraste intraurbano em termos de desenvolvimento humano.
4
Leitura e Análise de Tabela e Mapa
Páginas 7 - 15
1.
a) Essa questão é importante para que os alunos comecem a perceber que os
coeficientes com os quais vão trabalhar indicam situações melhores quanto menores
forem os valores desses coeficientes. Assim, espera-se que os alunos notem que a
situação da unidade federada é melhor quanto menor for o seu coeficiente. No caso
em questão, um coeficiente baixo indica que há menos mulheres de 15 a 17 anos que
tiveram filhos considerando o total da população feminina na mesma faixa etária.
Para que eles entendam melhor tal relação, aproveite para explicar que, na maior
parte dos casos, a gravidez na adolescência está associada à pobreza e à exclusão
social e cultural, já que uma parcela significativa das jovens grávidas abandona a
escola e perde a oportunidade de se qualificar para o mercado de trabalho.
b) Esse exercício pressupõe que os alunos identifiquem no mapa cada uma das
unidades federadas e pintem-na de acordo com a situação que apresenta, já indicada
na tabela. Para isso, talvez seja importante que você os ajude a montar a legenda do
mapa, escolhendo quatro tons de uma única cor, do mais claro (situação boa) ao mais
escuro (situação péssima).
O título escolhido pelos alunos pode ser algo similar a “Brasil: mulheres de 15 a 17
anos que tiveram filhos (por mil), 2006”.
c) Espera-se que os alunos, ao formarem os agrupamentos das unidades federadas,
percebam a existência de intervalos entre os dados. É importante que eles constatem
que os maiores índices de gravidez na adolescência em 2006 ocorrem no Maranhão,
no Acre, no Pará e em Tocantins. É importante que eles percebam também que todos
os Estados das regiões Sul e Sudeste, mais Goiás e o Distrito Federal, apresentam as
melhores situações.
2.
a) Santa Catarina apresenta o melhor coeficiente, pois em cada mil pessoas com mais
de 10 anos no Estado, 45 não têm instrução. Já Alagoas apresenta a pior situação, pois
em cada mil pessoas com mais de 10 anos no Estado, 230 não possuem instrução.
b) Nesse exercício, é importante que os alunos consigam discriminar as unidades
federadas pertencentes a cada um dos intervalos de dados determinados para a
5
composição de cada uma das situações e preencham a tabela adequadamente, o que
irá ajudá-los na elaboração no mapa temático solicitado no próximo exercício. A
divisão das unidades federadas em cada uma das situações é a seguinte:
Péssima: Alagoas, Piauí, Paraíba e Maranhão.
Ruim: Acre, Bahia, Ceará, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia e
Tocantins.
Regular: Pará, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Roraima, Minas
Gerais e Espírito Santo.
Boa: Paraná, Amapá, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Distrito Federal
e Santa Catarina.
c) Exercício cartográfico similar ao da atividade anterior. Talvez ainda seja
importante que você os ajude a montar a legenda do mapa, escolhendo quatro tons de
uma única cor, do mais claro (situação boa) ao mais escuro (situação péssima).
O título escolhido pelos alunos pode ser algo similar a “Brasil: pessoas de 10 anos ou
mais sem instrução (por mil), 2006”.
d) Espera-se que os alunos destaquem a diferença entre os coeficientes das
unidades federadas consideradas em boa situação e aqueles das consideradas em
péssima situação. Nesse caso, vale salientar que todos os Estados em situação
péssima situam-se na Região Nordeste. Seria importante também que os alunos
observassem que o conjunto dos Estados da Região Sul encontra-se em situação
classificada como boa.
3.
a) Resposta aberta, mas se espera que os alunos percebam que há uma grande
distância entre o coeficiente do Piauí e o de Tocantins, o que permite que esses sejam
os limites dos dois grupos. Assim, sugerimos que as unidades federadas com
coeficiente entre 44 e 100 por mil sejam consideradas em situação regular e que as
que apresentam coeficiente entre 100 e 202 sejam consideradas em situação péssima.
b) Nesse exercício cartográfico, similar aos anteriores, espera-se que os alunos já
consigam elaborar a legenda adequadamente e que a partir dela possam elaborar o
mapa temático com mais autonomia.
O título escolhido pelos alunos pode ser algo similar a “Brasil: domicílios com
problemas de insuficiência alimentar grave (por mil), 2006”.
6
c) A resposta é não, pois esse coeficiente apresenta incidência elevada em mais da
metade das unidades federadas brasileiras, sendo que apenas Santa Catarina
apresenta uma situação considerada boa.
4. Essa discussão para comparação das situações das unidades federadas nos diferentes
coeficientes é fundamental para que os alunos elaborem hipóteses mais generalizadas
com relação à qualidade de vida nas unidades federadas/regiões, que será novamente
focada na atividade subsequente. Não se espera, nesse momento da escolarização,
que os alunos já sejam capazes de realizar análises tão complexas com autonomia,
motivo pelo qual é imprescindível que você medeie a conversa com os alunos,
encaminhando determinadas observações e comparações. Partir dos mapas
elaborados pelos alunos pode ser de grande ajuda, pois eles permitem uma análise
visual mais imediata.
Em síntese, dois aspectos precisam surgir da discussão:
• elevada incidência de maternidade precoce, baixo grau de instrução e população
com insuficiência alimentar nas unidades federadas das regiões Norte e Nordeste do
país;
• em contrapartida, os coeficientes que indicam melhores situações concentram-se
especialmente nos Estados da região e Sul e, secundariamente, nos da região Sudeste.
Desafio!
Página 16
Resposta pessoal, que deverá ser debatida com os colegas. O mais importante
nesse momento é que os alunos se sintam motivados para apresentar seus próprios
procedimentos de agrupamento, exercitando seu poder de argumentação. Sugerimos que
o agrupamento seja feito entre os Estados vizinhos, formando um espaço regional
contíguo, tal como ocorre na proposta de regionalização apresentada no Caderno do
Professor.
7
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
REGIONALIZAÇÃO NO TEMPO E NO ESPAÇO
Páginas 17 - 20
Divisão
regional
Semelhanças com a atual Diferenças em relação à atual
Élisée Reclus
(1893)
Estabelece como limite das regiões
as fronteiras dos Estados.
Apresenta um número maior de
regiões.
Insere São Paulo na região Sul.
Critério de divisão com base na
geografia física.
Delgado de
Carvalho
(1913)
Estabelece como limite das regiões
as fronteiras dos Estados.
Mesmo número de regiões.
Critério de divisão com base na
geografia física.
Insere São Paulo na região Sul e cria a
região Leste com Rio de Janeiro,
Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e
Sergipe.
Conselho
Técnico de
Economia e
Finanças
(1939)
Estabelece como limite das regiões
as fronteiras dos Estados.
Mesmo número de regiões.
Critério de divisão com base na
geografia humana.
Estabelece uma região Sudeste e
uma região Sul iguais aos limites
atuais.
Insere Maranhão e Piauí na região
Norte.
Conselho
Nacional de
Geografia
(1941)
Estabelece como limite das regiões
as fronteiras dos Estados.
Mesmo número de regiões.
São Paulo faz parte da região Sul.
Estabelece uma região Leste com
Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de
Janeiro e Espírito Santo.
8
Desafio!
Página 21
• Espera-se que os alunos identifiquem alguns aspectos ambientais semelhantes entre
São Paulo e as unidades federadas do Sul, como uma pequena faixa do território com
clima subtropical, predomínio de formas planálticas e da bacia hidrográfica do Rio
Paraná.
• A formação da região Leste com Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia
e Sergipe, com base no conceito de região natural, poderá ser relacionada com as
bacias de drenagem secundárias do litoral brasileiro e com a Bacia do São Francisco.
Página 22
1. Do ponto de vista das características da vegetação e da hidrografia, o Tocantins é
mais parecido com Goiás do que com o Pará. Tanto Tocantins como Goiás são
predominantemente recobertos por cerrados e ambos são drenados pela Bacia do Rio
Tocantins.
2. Tocantins está conectado por meio de rodovias a Goiás e ao Pará, mas o acesso mais
fácil é a partir de Goiás.
3. A hidrografia é essencial para o Estado, devido ao elevado potencial hidrelétrico da
bacia Tocantins – Araguaia e à utilização dos rios como meio de transporte.
9
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
OUTRAS FORMAS DE REGIONALIZAÇÃO
Página 24
Com base nos dados levantados nas entrevistas, os alunos poderiam apresentar os
resultados em sala de aula. A discussão sobre esses relatos pretende chamar a atenção
dos estudantes para as causas e consequências dos fluxos migratórios para São Paulo
que ocorreram nas últimas décadas. Pretende também recuperar os conhecimentos dos
alunos sobre sistemas de transportes, além de analisar as possíveis dificuldades
enfrentadas pelas famílias migrantes.
Página 25
Para se imaginar na posição de um migrante, os alunos deverão se inspirar nas
entrevistas e aprofundar suas reflexões sobre o significado social, econômico e afetivo
das migrações internas. Além disso, espera-se que as dificuldades inerentes à adaptação
em um novo meio geográfico estejam presentes na carta.
Página 25
Os alunos devem ser orientados sobre os sistemas de transportes utilizados nos
percursos indicados. Provavelmente, o transporte rodoviário vai ser o mais citado, mas
espera-se que os alunos identifiquem as diferenças entre os meios de transporte
utilizados (ônibus, caminhões, trens ou automóveis).
10
Página 26
1.
a) Os dois portos marítimos mais importantes para exportação de mercadorias do
Brasil são os portos de Santos (SP) e de Tubarão (ES), localizados na chamada
Região Concentrada. Pelo porto de Santos são exportados, principalmente produtos
agrícolas e industriais e, pelo de Tubarão, minérios.
b) Os dois maiores aeroportos do país são o Aeroporto André Franco Montoro, em
Guarulhos (SP), e Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), localizados na
chamada Região Concentrada.
c) São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são os três Estados brasileiros que
apresentam as maiores concentrações industriais. Eles estão localizados na chamada
Região Concentrada.
d) Nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ambos localizados na chamada
Região Concentrada.
2. Espera-se que alunos percebam que essa região reúne as principais cidades, as
principais concentrações industriais e as mais importantes infraestruturas de
transportes.
11
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
VISÃO REGIONAL
Leitura e Análise de Texto e Mapa
Páginas 27 - 28
1. Porque o autor acredita no valor do caráter e da sabedoria do povo brasileiro, muitas
vezes desconsiderado pelos governantes.
2. Para ele, o Brasil não é apenas o que acontece no litoral e nos Estados do Sul e
Sudeste do país. É preciso valorizar os brasileiros de todas as regiões, inclusive
aqueles que vivem em áreas economicamente menos prósperas. Espera-se que os
alunos interpretem a letra considerando seus conhecimentos a respeito da formação
territorial do país – organizado para atender os interesses da metrópole portuguesa e
que, por isso, concentrou as principais atividades econômicas na zona litorânea –,
“de costas” para o interior. Alguns alunos poderão fazer referência a isso a partir da
metáfora utilizada pelo autor do encontro das águas do rio com o mar.
3. Os alunos deverão pintar Maranhão, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará,
Amazonas, Paraíba, Piauí, Sergipe e Minas Gerais, ainda que apenas as capitais de
alguns desses Estados tenham sido citadas. Deverão também ser identificadas as
regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
Página 29
1. A cidade de Sobral está localizada no noroeste do Estado do Ceará.
2. Sobral está relativamente próxima às cidades de Tianguá e Massapê, e nas margens
da Rodovia BR-222, que liga a capital do Estado, Fortaleza, com a capital do Piauí,
Teresina.
3. Em Sobral, a pecuária extensiva e as práticas extrativistas destacam-se como
atividades predominantes.
4. Resposta Pessoal, mas seria interessante que os alunos abordassem as possíveis
diferenças entre o seu cotidiano e o cotidiano dos estudantes de Sobral.
12
Página 30
1.
a) Maranhão.
b) Tocantins.
c) Minas Gerais.
d) Distrito Federal.
2. Porque nessa região estão concentradas as atividades produtivas mais dinâmicas, os
principais aeroportos e as cidades que exercem influência no conjunto do território
nacional.
AJUSTES
Caderno do Professor de Química – 6ª série/7º ano – Volume 2
Professor, a seguir você poderá conferir alguns ajustes. Eles estão sinalizados a cada
página.
27
Geografia - 6a série - Volume 2
Figura 16 – Proposta de divisão regional por contiguidade. Fonte: Elaborado por Raul Borges Guimarães especialmente para o São Paulo
faz escola.
Proposta de divisão regional por contiguidade
ff a terceira região (Centro-Norte) seria formada
pelos Estados em que predominam
indicadores em situação regular – salvo o
Acre, cuja diferença foi comentada acima,
e que também seria incluído nesta região
pelo critério da contiguidade.
Enquanto os alunos procuram formular
suas propostas, o professor terá oportunidade
de observar a capacidade da turma de enfrentar
o desafio da divisão regional. Evidentemente,
trata-se apenas de um exercício com base em
três indicadores, o que não seria suficiente para
o estabelecimento de um juízo mais conclusivo.
De qualquer modo, com a situação proposta,
os alunos estarão aprimorando o uso da linguagem
cartográfica e desenvolvendo suas habilidades
de análise de dados e informações a
respeito da condição de vida dos brasileiros residentes
em diferentes unidades da federação.
DF
Situação boa
Situação regular
Situação ruim
Situação péssima
O
Classificação pelos
indicadores
320
I – Meio-norte/Nordeste
II – Centro-Sul
III – Centro-Norte
Proposta de divisão regional
Regiões
III I
II
por contiguidade
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terça-feira, 17 de maio de 2011
Postado por
PROFESSOR MARIO
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12:24
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PROFESSOR MARIO
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GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
1
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
O MUNDO E SUAS REPRESENTAÇÕES
Para começo de conversa
Páginas 3 - 4
1. Resposta pessoal. Porém, para um bom aproveitamento do exercício proposto, é
preciso uma ação sua junto aos alunos, visto que é incomum o uso de mapas fora do
espaço escolar. É muito provável que muitas pessoas passem a vida inteira numa
cidade sem conhecer o mapa desse espaço. Além disso, não há mapas nos espaços
públicos nem nos sistemas de transportes para orientar os percursos, tampouco para
localizar pontos importantes. Sendo assim, dependendo do que acontecer com a
proposição inicial, talvez seja necessário que você pense em formas de apresentação
desse mapa da cidade e proponha alguns exercícios de localização para que os
estudantes se familiarizem com ele.
2. O interessante nesse exercício que o aluno vai realizar (desenhar um mapa, na verdade
um croqui, pois não é necessário fazer escala, que mostre o percurso da escola até sua
residência) é você: examinar se o mapa desenhado indica alguma familiaridade com o
mapa da cidade ou se é alheio a isso; verificar se há noção de escala (se ele não dá
distâncias maiores para percursos mais curtos e distâncias menores no mapa para ruas
e avenidas mais longas); averiguar que referências ele indica para facilitar a locomoção
(se são edifícios marcantes para todos, avenidas importantes ou, então, referências
muito subjetivas, somente perceptíveis para o autor do mapa). Tudo isso são elementos
reveladores da percepção de espaço do estudante, que terminam sendo referências para
a continuidade do seu trabalho com os alunos.
3. Aeroportos, estações de trem e estações rodoviárias costumam exibir mapas de suas
localidades. Nesses locais há balcões de informações turísticas que fornecem mapas
e outros materiais informativos sobre o lugar onde estão situados. Isso porque quem
chega pode estar vindo pela primeira vez e precisa saber se locomover o mais breve
possível. Os mapas são compreensíveis por todos, mais do que textos, e é uma
obrigação das cidades orientar e receber bem seus visitantes.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
2
4. Um dos elementos importantes da qualidade de uma residência é sua localização.
Bairros com boa infraestrutura valorizam as moradias. Os vendedores de imóveis
fazem mapas nas propagandas para valorizar as localizações dos bens que estão
vendendo. Além disso, é preciso que o interessado saiba chegar ao imóvel.
Se os alunos não se lembrarem desse tipo de anúncio, é importante que você
disponibilize alguns exemplos na sala de aula. Jornais costumam inserir mapas em
seus anúncios de imóveis e, muitas vezes, esses anúncios são distribuídos em locais
de grande circulação de pessoas.
Desafio!
Página 4
Após mostrar um exemplo de mapa de um grupo social distante, muito diferente dos
mapas que nos são familiares, pede-se para que os alunos, em grupo, façam mapas usando
recursos semelhantes. Esse exercício tem como objetivo levar os alunos a vivenciar a
experiência da representação sem exigências formais. É um trabalho criativo e nele os
estudantes vão representar realidades geográficas com materiais inusitados, mas terão de se
empenhar na comunicabilidade dessa representação. É interessante ressaltar que foi
improvisando e usando o que era possível que ao longo da história o ser humano foi
registrando e controlando suas realidades espaciais. No exemplo do mapa de moradores das
Ilhas Marshall é importante destacar que esse mapa ajudava-os na navegação, por mais que
atualmente olhemos e digamos que não é um “mapa bom” ou um “mapa correto”.
Os livros didáticos de Geografia que já traziam mapas multiplicam em suas páginas a
presença de mapas. Não é incomum, inclusive, apresentar a história da Cartografia,
mostrando mapas de povos antigos, de culturas isoladas etc. Por isso, usar livros didáticos é
uma boa medida para fazer a breve pesquisa proposta. Se o acesso à internet for possível, aí
então as referências vão se multiplicar muito. A internet está inundada de mapas, há sites e
sites especializados desde em mapas atuais até em mapas antigos e exóticos.
Durante a criação dos mapas pelos grupos, você pode enfatizar a importância da
legibilidade dos símbolos escolhidos, ou seja, se as informações selecionadas para a
representação do entorno da escola serão compreendidas pelos demais alunos.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
3
Leitura e Análise de Imagem e Mapa
Páginas 5 - 7
1. Representam a mesma área com recursos diferentes. Inclusive a escala de ambas as
representações é idêntica.
2. São visíveis as cidades representadas por diversos símbolos conforme seu tamanho.
As menores são bolinhas pretas, as maiores, duas grandes metrópoles, são quadrados
pretos. Também são visíveis as redes de transportes, em especial rodovias. Isso é o
principal.
3. As duas maiores regiões metropolitanas do Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) estão
representadas no mapa por quadrados pretos, bem visíveis. Na imagem de satélite as
duas metrópoles aparecem em áreas bem marcadas por uma tonalidade do roxo. São
Paulo é maior que o Rio de Janeiro, segundo a imagem.
4. Dá para notar, além das metrópoles, um rio (Rio Paraíba do Sul) e diferentes
situações espaciais, alternando formações naturais e realidades geográficas
construídas pelo ser humano, como represas (ao norte de Caraguatatuba, por
exemplo).
5. Espera-se que os alunos percebam que no mapa estão selecionados alguns elementos
que se quer mostrar: as cidades (segundo seus diversos tamanhos), as rodovias etc.
Para mostrar esses elementos são utilizados símbolos que, como tal, são mais visíveis
no mapa.
A imagem de satélite, por sua vez, não tem símbolos; é como uma fotografia da
Terra. É mais difícil de interpretar, mas a dimensão geográfica dos fenômenos está
mais próxima da realidade.
As imagens de satélite servem (entre outros usos) para que, a partir delas,
confeccionem-se mapas. Esses usam linguagem apropriada, destacam fenômenos
específicos, segundo o seu autor. Assim, mapas e imagens de satélite não têm a
mesma função e, por isso, uns não podem ser substituídos pelos outros.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
4
Página 8
O estudante deve fazer uma lista dos mapas encontrados e descrever que função o
mapa exercia na publicação em que foi encontrado. O contexto em que o mapa estava
exposto vai ajudar a definir que funções ele possuía. Ele pode, por exemplo, estar
apenas localizando um lugar mencionado numa reportagem; mas pode também estar
indicando dados populacionais de um lugar etc.
Página 8
Para demonstrar que essa afirmação faz sentido vale a pena voltar ao exemplo de
comparação entre a imagem de satélite e o mapa “Eixo Rio de Janeiro – São Paulo”. No
mapa escolheu-se representar as estradas, mas decidiu-se não representar, por exemplo,
as redes de fios de eletricidade nem o volume de população que habita essa localidade
coberta pelo mapa. Todo mapa é assim. Sempre uma seleção de fenômenos. Mesmo
aqueles mapas que parecem representar tudo não conseguem essa façanha. Esse é o caso
da denominada carta topográfica.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
5
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
ORIENTAÇÃO RELATIVA: A ROSA DOS VENTOS
Para começo de conversa
Página 9
1. De fato, a impressão que temos, em função das grandezas e da velocidade dos
movimentos terrestres, é a de que realmente a Terra está parada, de que ela é estática.
Por isso, o arco que vemos do Sol – primeiro a Leste, depois sobre nossas cabeças e
então desaparecendo a Oeste – nos dá a impressão de movimento do Sol, quando na
verdade é a Terra que está se movimentando.
2. O movimento aparente do Sol é uma referência que permite identificarmos os pontos
cardeais. Se a janela do lado direito da classe, na posição do aluno, estiver voltada
para onde nasce o Sol esse lado será o Leste; o lado contrário o Oeste; à frente o
Norte; e atrás o Sul.
3. A resposta deve estar vinculada à localidade da escola. É preferível que haja
referência às cidades próximas. Não há problema que os alunos consultem mapas.
Pode parecer um exercício muito fácil, mas surpresas podem aparecer. O objetivo é
sedimentar a familiaridade com os pontos cardeais, para que o aluno efetivamente
apreenda o conceito.
Páginas 10 - 12
1.
a) Espera-se que o aluno responda positivamente, pois como esse movimento é
aparente, o Sol parece estar em diversas posições durante o dia. O aluno precisa
assimilar essa percepção, que nem sempre é óbvia.
b) É interessante que você estimule essa observação e que o aluno, ao notar onde o
Sol nasce e onde desaparece, indique uma referência que possa ser reconhecida por
todos. Por exemplo: o Sol nasce do lado direito da escola, na direção do morro tal; o
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
6
Sol desaparece do lado esquerdo da escola, na direção do rio tal. Isso vai permitir
verificar se todos da classe estão percebendo da mesma maneira.
c) É um movimento aparente. Não é possível demonstrar se o aluno não perceber
que o Sol muda de posição no decorrer do dia. A discussão sobre o que se
movimenta para essa mudança de posição vem em segundo lugar.
2.
a) Trata-se do movimento da Terra em torno de seu próprio eixo, conhecido como
movimento de rotação.
b) Sem dúvida há uma relação direta. Durante o período de 24 horas (23h56min),
que dura o movimento de rotação, parte da Terra fica exposta ao Sol (dia), enquanto
a parte oposta do planeta não é iluminada pelo Sol (noite).
c) Os polos Sul e Norte e as posições Leste e Oeste.
3. Professor, chame a atenção dos alunos para o fato de que esse esquema foi feito para
fins didáticos. A proporção entre o Sol e a Terra e a distância entre eles não são
essas.
a) Trata-se do movimento da Terra em torno do Sol. O movimento de translação
que leva 365 dias e 6 horas.
b) A translação é um movimento anti-horário (ao contrário do movimento dos
ponteiros de um relógio), o que é perceptível pelas setinhas desenhadas no percurso
da Terra. A figura mostra também que a Terra se movimenta em torno do Sol, com
seu eixo inclinado em relação ao plano de translação. Assim, nas diversas posições,
num momento o Hemisfério Sul é que está mais exposto ao Sol e, noutro, o
Hemisfério Norte. As datas de máxima desigualdade de iluminação nos hemisférios
Norte e Sul (22 ou 23 de junho e 22 ou 23 de dezembro) são chamadas de solstício,
enquanto as datas de máxima igualdade de iluminação nos hemisférios Norte e Sul
(20 ou 21 de março e 22 ou 23 de setembro) são chamadas de equinócio.
c) Essas diversas posições da Terra em relação ao Sol no decorrer do ano explicam
as diferentes intensidades da chegada de energia calorífera nos dois hemisférios
latitudinais da Terra (o Sul e o Norte). A distribuição diferenciada dessa energia
implicará no que chamamos estações do ano. Na figura, na posição dos dias 22 ou 23
de junho, a Terra está com o Hemisfério Norte projetado em direção ao Sol, o que
vai fazer com que os ângulos dos raios solares estejam mais próximos de 90º na
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
7
latitude do Trópico de Câncer, o que significa mais energia calorífera. Essa maior
exposição deve-se, como mostrado na figura, à inclinação do eixo da Terra em
relação ao plano da órbita. Por isso é verão naquele hemisfério e inverno no
Hemisfério Sul, que, nesse momento, está menos projetado em relação ao Sol, e os
raios solares chegam num ângulo mais inclinado. Isso vai significar menos energia
calorífera. Com essa mesma lógica explica-se as outras estações do ano.
Página 13
Esse exercício do presente para o passado é muito interessante. É um exercício de
reconhecimento do outro que contribui para o desenvolvimento de uma competência
muito importante: o compreender. O que se sabia na Antiguidade, o que se interpretava
dependia de observação direta, de olhar a natureza. É essa criança que receberá a carta.
Logo, para convencê-la sobre o fato de que o movimento do Sol é apenas aparente é
preciso empregar estratégias próprias. Somente de o estudante ter isso em mente, e ser
obrigado a fazer raciocínios específicos para a situação, já é de extrema valia e justifica
o exercício.
Incentive os alunos a elaborar ilustrações que auxiliem na sua explicação, exercício
esse que auxiliará na compreensão do conceito trabalhado.
Páginas 13 - 14
1. O nome da figura que representa os pontos colaterais é Rosa dos Ventos. Nela se
representam os pontos cardeais (principais) e os pontos colaterais (intermediários
entre os cardeais).
2. Com o braço direito estendido em direção à nascente do Sol chega-se ao Leste, logo
o braço esquerdo indica o Oeste.
3. Com o braço esquerdo voltado para o Oeste e o direito para o Leste, o menino tem a
sua frente o Norte e atrás o Sul.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
8
4.
Entre o Norte (N) e o Leste (E) Nordeste (NE)
Entre o Sul (S) e o Oeste (O) Sudoeste (SO)
Entre o Norte (N) e o Oeste (O) Noroeste (NO)
Entre o Sul (S) e o Leste (E) Sudeste (SE)
5. Esse aparelho é a bússola. Ele está para o espaço assim como o relógio está para o
tempo.
Página 14
É relativamente simples construir uma bússola em casa. A maior dificuldade está em
encontrar um ímã. São pequenos objetos naturais ou artificiais que têm a propriedade de
magnetismo, quer dizer, de atrair materiais ferrosos. Alerte os estudantes sobre o
manuseio da agulha para evitar que eles se firam. O professor de Ciências pode ajudar a
localizar, pois é comum nessa disciplina se propor experiências com o magnetismo.
O interessante é que, ao esfregar uma agulha no ímã, as propriedades magnéticas
passarão para a agulha, elemento-chave para a construção da bússola.
Na Terra há um acúmulo de materiais magnéticos próximo ao Norte magnético, e
uma agulha imantada sempre se deslocará para essa direção.
Página 15
Até agora os pontos cardeais foram encontrados, nas proposições anteriores,
utilizando a posição onde o Sol nasce (Leste) e daí deduziu-se o Oeste, o Norte e o Sul.
Agora essa localização será feita com um aparelho. Ela poderá ser feita à noite, por
exemplo. Este momento aplicativo é chave para a concretização desse conteúdo.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
9
Desafio!
Página 15
Caro professor, dependendo do mapa utilizado, as respostas podem ser um pouco
diferentes. Se o mapa tiver os limites municipais representados, os alunos terão outra
visualização da que terão se o mapa apenas indicar, com símbolos (bolas, por exemplo),
o centro dos municípios do Estado. Por este motivo, você precisa estar atento ao mapa
selecionado e acompanhar a realização da atividade, a fim de verificar se os alunos
sabem lidar corretamente com os pontos cardeais e colaterais.
1. Iguape está a(o) Nordeste de Cananeia e a(o) Leste de Registro.
2. Marília está a(o) Nordeste de Assis e a(o) Sudoeste de São José do Rio Preto.
3. São José dos Campos está a Nordeste de São Paulo e a(o) Sudeste de Moji-Mirim.
4. Fernandópolis e Ituverava estão situadas no Norte do Estado de São Paulo.
5. Teodoro Sampaio situa-se no Oeste do Estado de São Paulo.
Página 16
1. Alternativa e. Espera-se que o aluno compreenda que o movimento do Sol na
abóbada celeste é aparente e que resulta do giro da Terra em torno de si mesma.
2. Rotação: duração 24 horas (23h56min). Movimento da Terra em torno de seu próprio
eixo, é responsável pelos dias e pelas noites. Todos os outros planetas do Sistema
Solar estão em rotação; as velocidades são diferentes, mas é esse movimento o
responsável pela forma arredondada dos planetas, inclusive da Terra.
Translação: duração 365 dias (365 e 6 horas). É uma trajetória da Terra em torno do
Sol, e nesse percurso a Terra expõe diferentemente seus hemisférios em relação ao
Sol (em razão da inclinação do eixo da Terra). É um dos responsáveis pela
ocorrência das diferentes estações do ano.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
10
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
AS COORDENADAS GEOGRÁFICAS
Para começo de conversa
Página 17
1. Não, essa informação não é suficiente porque quando se indica um ponto cardeal ou
um colateral é preciso dar uma referência. Norte em relação a que ponto, a que
cidade? Uma mesma cidade pode estar ao Norte de uma cidade qualquer e ao Sul de
outra.
2. Norte em relação a quê? Que pontos de referência existem?
3. É sempre necessário usar outros pontos de referência para melhor localizar um ponto
num espaço. Nenhum ponto é o Norte absoluto (a não ser o núcleo do Polo Norte).
Todo Norte será Norte em relação a outro ponto que estará ao Sul.
Páginas 17 - 18
A figura é clara. A Terra é esférica e o navio no horizonte de um oceano vai
parecendo cada vez mais próximo em razão da curvatura do planeta. Aliás, essa é uma
das formas indiretas que nos faz perceber a curvatura da Terra.
Páginas 18 - 21
1.
a) Essa linha é o Equador. A palavra vem de equalis, que quer dizer igual. O
Equador corta a Terra em duas metades iguais.
b) A metade “de cima” é o Hemisfério Norte, e a metade “de baixo” é o Hemisfério
Sul.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
11
c) O exercício de colorir é um recurso com o objetivo de familiarização com o
Hemisfério Norte e com o Hemisfério Sul.
2.
a) Neste globo não estão todas as coordenadas geográficas. Estão apenas alguns
paralelos. O Equador é um dos paralelos, aliás, o paralelo 0º, que serve de referência
para a medida dos demais paralelos.
b) Esses números indicam a posição do paralelo no interior da circunferência que
representa a Terra. Uma circunferência possui 360º (esse “o” pequeno representa a
medida em grau). Porém, para efeitos de medida das latitudes, que são linhas paralelas
na circunferência, optou-se em se medir as latitudes a partir do Equador contando de 0o
a 90º Sul e de 0o a 90º Norte. Isso dá 180º. Acontece que as duas extremidades do
paralelo estão contempladas; logo, se somássemos, chegaríamos aos 360º.
c) Para posicionar corretamente os paralelos indicados será útil o estudante usar um
transferidor.
3.
a) Em relação à primeira figura, a diferença deste globo é que a grade de
coordenadas não está completa: só estão representados os meridianos.
b) Diferentemente da marcação dos paralelos, que se dá numa figura geométrica
que é a circunferência, os meridianos são estabelecidos numa esfera. São meio
círculos de polo a polo e um conjunto de dois meridianos opostos que constituem um
círculo inteiro. Qualquer meridiano divide a esfera em duas partes iguais, mas um
deles foi escolhido para ser o meridiano de referência, o meridiano 0º. Trata-se do
Meridiano de Greenwich, que corta a Inglaterra. Ao Leste (à direita) tem 180º e a
Oeste (à esquerda) tem mais 180º. Isso explica os números e o uso das iniciais dos
pontos cardeais.
c) Para acrescentar mais duas linhas de meridiano na posição correta pode-se usar
também o transferidor.
d) Essa área é chamada de Hemisfério Oeste ou Ocidental (tecnicamente), e
popularmente de Ocidente.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
12
4. Preenchendo os vazios do quadro:
Característica Coordenada
geográfica
Permite situar
Demarca as metades leste e oeste Greenwich Hemisférios Oriental e
Ocidental
Demarca as metades norte e sul Equador Hemisférios Sul e Norte
Perpendiculares a Greenwich Paralelos Latitudes
Perpendiculares ao Equador Meridianos Longitudes
Páginas 21 - 22
1. Palmas (TO).
2. Macapá (AP) ou São Gabriel da Cachoeira (AM).
3. Rio Branco (AC).
Página 23
1. A latitude é uma medida em graus obtida por paralelos traçados numa circunferência
que representa a Terra. Os paralelos vão de 0o a 90º em direção ao Sul e de 0o a 90º
em direção ao Norte. Cada paralelo é uma latitude Sul ou Norte.
2.
a) O movimento de rotação permite determinar as longitudes, que são medidas em
tempo, antes de tudo. Se soubermos a hora na longitude 0o e ao mesmo tempo a hora
em outra longitude a Oeste, dá para saber que longitude é essa.
b) Para que a Terra complete o movimento de rotação são necessárias 24 horas
(duração do dia), ou exatas 23h56min.
3. Para girar 15º a Terra leva uma hora em seu movimento de rotação, a 15º de um
ponto qualquer a Leste será uma hora mais. Por exemplo, se forem 8 horas nesse
ponto, em 15º a Leste já serão 9 horas e em 15º a Oeste serão 7 horas.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
13
4. Decidiu-se por um ponto para ser a referência para a medição das diversas horas da
Terra num mesmo momento e também para a medida das longitudes. Esse ponto de
referência é o Meridiano de Greenwich na Inglaterra. O meridiano 0o, a longitude 0o.
A partir desse ponto se estabelece os fusos horários.
Páginas 24 - 25
1. Em direção ao Leste as horas estão adiantadas em relação a Greenwich.
2. Em direção ao Oeste as horas estão atrasadas em relação a Greenwich.
3. Se a diferença em relação a Greenwich for de uma hora, isso corresponde a 15º de
diferença de longitude.
4. Cálculo das horas da Copa do Mundo.
a) Em Londres, na Inglaterra o jogo será assistido às 17 horas do dia 20 de junho.
b) Em Nairobi, no Quênia, às 20 horas do dia 20 de junho.
c) Na Cidade do México será às 11 horas do dia 20 de junho.
d) Em Sidney, na Austrália, será às 3 horas da manhã do dia seguinte, 21 de junho.
e) Em Los Angeles, nos EUA, será às 9 horas do dia 20 de junho.
Observação: De acordo com a Lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008, a partir da zero
hora de 24 de junho de 2008 vigoram no Brasil três fusos horários.
Página 26
Para se determinar a posição exata de um ponto qualquer do globo é preciso definir a
longitude e a latitude desse ponto. Cruzando esses dois elementos chega-se à posição
exata de um ponto qualquer.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
14
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
OS ATRIBUTOS DOS MAPAS
Para começo de conversa
Página 27
1. Não é sempre assim. Essas cores (o azul e o verde) são usadas em mapas para várias
finalidades e não são exclusivas para representar as águas e a vegetação.
2. Os mapas políticos representam, especialmente, fenômenos humanos como cidades,
estradas etc. Enquanto isso, os mapas físicos representam fenômenos naturais como
rede de rios, altitudes dos terrenos, distribuição das formações vegetais etc.
3. Com uma escala de cores. Cada cor representa uma altitude e isso pode ser
consultado na legenda.
4. Um mapa de São Paulo dentro do mapa do Brasil pode ter menos detalhes que um
mapa isolado de São Paulo. Existem mapas maiores e mapas menores de um mesmo
local, e essa variação chama-se escala cartográfica.
Páginas 28 - 31
1.
a) Estão representados os Estados brasileiros. Isso é perceptível porque para cada
Estado há uma cor e traços que delimitam um Estado do outro. Essa delimitação e o
fato de existirem Estados é um fenômeno humano. Os alunos podem também
identificar os rios e alguns países da América do Sul.
b) Por intermédio de cores.
c) Os principais elementos representados são fenômenos humanos: divisão dos
Estados e das principais cidades do Brasil.
d) Mapa político do Brasil.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
15
2.
a) Não há mais divisão marcando a existência de Estados nem indicação de
cidades. As cores assinalam os terrenos segundo as altitudes, o que pode ser
observado na legenda. É importante notar que as zonas verdes correspondem a certa
altitude (entre as mais baixas) e não a zonas de florestas. Do amarelo para o marrom
são terrenos altos e não terras sem vegetação. Aparece também uma densa malha de
rios: a rede hidrográfica.
b) Por cores diferentes se destacaram os terrenos de diversas altitudes médias. Mas
só é possível identificar quais as áreas mais altas e as mais baixas observando a
legenda, o que é um problema nesse mapa.
c) A cor verde não representa florestas, e sim uma determinada altitude (que está
entre as mais baixas). Isso demonstra que nos mapas existentes as cores têm um uso
diverso e nenhuma cor tem um uso exclusivo, nem mesmo o azul para a água.
d) São elementos da natureza: altitude e malha de rios. Logo, nesse mapa
predominam fenômenos naturais.
e) Mapa físico do Brasil.
3.
a) No primeiro mapa foram utilizados símbolos para representar as cidades. Na
legenda é possível ver que a bolinha com um ponto preto e um círculo representa as
capitais e a bolinha preta, outras cidades. Além disso, também são utilizados
símbolos para diferentes vias de acesso e limites territoriais.
b) Rio Branco, identificável no mapa pelo símbolo de Capital de Estado.
c) Foram utilizados os recursos da cor. A escala de cor empregada vai de um verde
escuro (altitude mais baixa) até um marrom escuro (a altitude mais elevada). Essa
escala compõe a linguagem do mapa.
d) Com esse recurso ficamos sabendo onde as terras são mais altas (altitude média).
Elas ficam em todas as áreas assinaladas com marrom escuro. Mas o mapa faz uso
também de pequenos símbolos que não aparecem na legenda que indicam os picos
mais altos: o mais alto fica ao Norte do Brasil e é conhecido como Pico da Neblina,
com 2 994 metros, na fronteira com a Venezuela.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
16
Páginas 32 - 34
1. Sim, a região metropolitana de São Paulo está representada nos dois mapas, mas
apenas no “Região metropolitana de São Paulo” constam os municípios que a
compõem.
2. O mapa “Região metropolitana de São Paulo”, pois nesse o território da área em
questão foi menos reduzido.
3. O mapa “Brasil: regiões metropolitanas, 2005” seria o mais adequado. Ele possui
escala menor, e isso permite visualizar as regiões metropolitanas na extensão do
Brasil.
4. Não, não seria possível. A escala do mapa “Brasil: regiões metropolitanas, 2005” é
pequena demais para representar esse tipo de detalhe.
Página 35
1. A resposta vai depender da escala gráfica do mapa escolhido.
2. Alternativa e. 6 centímetros x 50 quilômetros, que é o valor de cada intervalo da
escala gráfica.
3.
a) O título nos indica o tema que será tratado no mapa. Por exemplo: Distribuição
da população do Brasil; Rede hidrográfica do Brasil etc.
b) A legenda apoia a linguagem do mapa. Ela traduz o que os símbolos e as cores
utilizados significam.
Embora necessários, não são os elementos mais importantes dos mapas. O mais
importante é o mapa em si, que é o visual propriamente dito.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
17
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
A CARTOGRAFIA TEMÁTICA
Para começo de conversa
Página 36
1. A resposta é pessoal e depende do material pesquisado. Porém, é provável que se
encontrem mapas nas duas situações.
2. Os mapas que pretendem representar tudo o que existe na superfície terrestre (o que
não se consegue) são os mapas de base.
3. Os que representam apenas um ou dois fenômenos são os temáticos. Cada fenômeno
é um tema.
4. Atualmente, é cada vez mais comum mapas que mostrem fluxos. Por exemplo, onde
se produz petróleo e onde ele vai ser processado e consumido (e também em que
quantidade). Esse é um tipo de mapa temático e a representação é chamada
representação dinâmica (mostra movimentos).
5. Depende dos mapas encontrados. Em geral se representa os locais de produção com
símbolos que remetem a fábricas, usinas, centros de extração etc. A legenda nesse
caso indica e traduz a simbologia.
Página 37
É provável que a esta altura os estudantes não tenham dificuldades para identificar e
selecionar esses mapas temáticos e classificá-los segundo os grupos de fenômenos
naturais e humanos.
1. Em geral, os mapas têm indicação da escala cartográfica, mas nem sempre ela é
necessária, em função de uma série de detalhes técnicos da cartografia, área que
estuda e produz mapas.
2. Depende dos mapas pesquisados.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
18
3. Varia de acordo com o que foi pesquisado, mas, de um modo geral, os mapas são
muito reduzidos, visto que predominam mapas do mundo, mapas do Brasil e dos
Estados em nossa cultura escolar. E, para representar vastos territórios, os mapas
devem ser muito reduzidos.
4. Depende do material pesquisado. É importante exercitar esse olhar para a qualidade
das representações e isso deve começar cedo.
5. Encontrados os mapas que representam fenômenos naturais é importante o aluno
listar os recursos de linguagem que foram empregados para a representação: cores,
símbolos etc. Mas é melhor fazer a observação antes de olhar as legendas.
6. Depende dos mapas pesquisados. No mais, os mesmos comentários da proposta
anterior se aplicam aqui.
Páginas 38 - 39
1.
a) Representa a situação dos países em relação ao poderio nuclear militar e aos
tratados e convenções internacionais que visam a impedir a proliferação de armas de
destruição massiva. Nota-se que apenas alguns países possuem armamentos nucleares.
b) Sim, esse é um mapa qualitativo, pois representa ocorrências de fenômenos
diversos: 1. Posições diferentes de alguns países em relação às armas nucleares de
destruição massiva; 2. Localidades não signatárias de tratados e convenções
internacionais contra a proliferação de armas de destruição massiva.
2.
a) Trata-se um mapa-múndi sobre o qual foram aplicados círculos de diversos
tamanhos. Nota-se uma maior concentração desses círculos em certas áreas,
enquanto em outras há maior dispersão, por exemplo, na América do Sul. Fica muito
evidente onde se compra mais armas. Os círculos maiores representam compradores
maiores de armas. A relação é direta.
b) Sem dúvida, esse é um mapa quantitativo, visto que mostra, por intermédio dos
círculos proporcionais (que podem ser quantificados exatamente recorrendo-se ao
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
19
ábaco – legenda de mapa quantitativo), as quantidades de armas que estão sendo
compradas e por quais países estão sendo adquiridas
1
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
O MUNDO E SUAS REPRESENTAÇÕES
Para começo de conversa
Páginas 3 - 4
1. Resposta pessoal. Porém, para um bom aproveitamento do exercício proposto, é
preciso uma ação sua junto aos alunos, visto que é incomum o uso de mapas fora do
espaço escolar. É muito provável que muitas pessoas passem a vida inteira numa
cidade sem conhecer o mapa desse espaço. Além disso, não há mapas nos espaços
públicos nem nos sistemas de transportes para orientar os percursos, tampouco para
localizar pontos importantes. Sendo assim, dependendo do que acontecer com a
proposição inicial, talvez seja necessário que você pense em formas de apresentação
desse mapa da cidade e proponha alguns exercícios de localização para que os
estudantes se familiarizem com ele.
2. O interessante nesse exercício que o aluno vai realizar (desenhar um mapa, na verdade
um croqui, pois não é necessário fazer escala, que mostre o percurso da escola até sua
residência) é você: examinar se o mapa desenhado indica alguma familiaridade com o
mapa da cidade ou se é alheio a isso; verificar se há noção de escala (se ele não dá
distâncias maiores para percursos mais curtos e distâncias menores no mapa para ruas
e avenidas mais longas); averiguar que referências ele indica para facilitar a locomoção
(se são edifícios marcantes para todos, avenidas importantes ou, então, referências
muito subjetivas, somente perceptíveis para o autor do mapa). Tudo isso são elementos
reveladores da percepção de espaço do estudante, que terminam sendo referências para
a continuidade do seu trabalho com os alunos.
3. Aeroportos, estações de trem e estações rodoviárias costumam exibir mapas de suas
localidades. Nesses locais há balcões de informações turísticas que fornecem mapas
e outros materiais informativos sobre o lugar onde estão situados. Isso porque quem
chega pode estar vindo pela primeira vez e precisa saber se locomover o mais breve
possível. Os mapas são compreensíveis por todos, mais do que textos, e é uma
obrigação das cidades orientar e receber bem seus visitantes.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
2
4. Um dos elementos importantes da qualidade de uma residência é sua localização.
Bairros com boa infraestrutura valorizam as moradias. Os vendedores de imóveis
fazem mapas nas propagandas para valorizar as localizações dos bens que estão
vendendo. Além disso, é preciso que o interessado saiba chegar ao imóvel.
Se os alunos não se lembrarem desse tipo de anúncio, é importante que você
disponibilize alguns exemplos na sala de aula. Jornais costumam inserir mapas em
seus anúncios de imóveis e, muitas vezes, esses anúncios são distribuídos em locais
de grande circulação de pessoas.
Desafio!
Página 4
Após mostrar um exemplo de mapa de um grupo social distante, muito diferente dos
mapas que nos são familiares, pede-se para que os alunos, em grupo, façam mapas usando
recursos semelhantes. Esse exercício tem como objetivo levar os alunos a vivenciar a
experiência da representação sem exigências formais. É um trabalho criativo e nele os
estudantes vão representar realidades geográficas com materiais inusitados, mas terão de se
empenhar na comunicabilidade dessa representação. É interessante ressaltar que foi
improvisando e usando o que era possível que ao longo da história o ser humano foi
registrando e controlando suas realidades espaciais. No exemplo do mapa de moradores das
Ilhas Marshall é importante destacar que esse mapa ajudava-os na navegação, por mais que
atualmente olhemos e digamos que não é um “mapa bom” ou um “mapa correto”.
Os livros didáticos de Geografia que já traziam mapas multiplicam em suas páginas a
presença de mapas. Não é incomum, inclusive, apresentar a história da Cartografia,
mostrando mapas de povos antigos, de culturas isoladas etc. Por isso, usar livros didáticos é
uma boa medida para fazer a breve pesquisa proposta. Se o acesso à internet for possível, aí
então as referências vão se multiplicar muito. A internet está inundada de mapas, há sites e
sites especializados desde em mapas atuais até em mapas antigos e exóticos.
Durante a criação dos mapas pelos grupos, você pode enfatizar a importância da
legibilidade dos símbolos escolhidos, ou seja, se as informações selecionadas para a
representação do entorno da escola serão compreendidas pelos demais alunos.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
3
Leitura e Análise de Imagem e Mapa
Páginas 5 - 7
1. Representam a mesma área com recursos diferentes. Inclusive a escala de ambas as
representações é idêntica.
2. São visíveis as cidades representadas por diversos símbolos conforme seu tamanho.
As menores são bolinhas pretas, as maiores, duas grandes metrópoles, são quadrados
pretos. Também são visíveis as redes de transportes, em especial rodovias. Isso é o
principal.
3. As duas maiores regiões metropolitanas do Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) estão
representadas no mapa por quadrados pretos, bem visíveis. Na imagem de satélite as
duas metrópoles aparecem em áreas bem marcadas por uma tonalidade do roxo. São
Paulo é maior que o Rio de Janeiro, segundo a imagem.
4. Dá para notar, além das metrópoles, um rio (Rio Paraíba do Sul) e diferentes
situações espaciais, alternando formações naturais e realidades geográficas
construídas pelo ser humano, como represas (ao norte de Caraguatatuba, por
exemplo).
5. Espera-se que os alunos percebam que no mapa estão selecionados alguns elementos
que se quer mostrar: as cidades (segundo seus diversos tamanhos), as rodovias etc.
Para mostrar esses elementos são utilizados símbolos que, como tal, são mais visíveis
no mapa.
A imagem de satélite, por sua vez, não tem símbolos; é como uma fotografia da
Terra. É mais difícil de interpretar, mas a dimensão geográfica dos fenômenos está
mais próxima da realidade.
As imagens de satélite servem (entre outros usos) para que, a partir delas,
confeccionem-se mapas. Esses usam linguagem apropriada, destacam fenômenos
específicos, segundo o seu autor. Assim, mapas e imagens de satélite não têm a
mesma função e, por isso, uns não podem ser substituídos pelos outros.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
4
Página 8
O estudante deve fazer uma lista dos mapas encontrados e descrever que função o
mapa exercia na publicação em que foi encontrado. O contexto em que o mapa estava
exposto vai ajudar a definir que funções ele possuía. Ele pode, por exemplo, estar
apenas localizando um lugar mencionado numa reportagem; mas pode também estar
indicando dados populacionais de um lugar etc.
Página 8
Para demonstrar que essa afirmação faz sentido vale a pena voltar ao exemplo de
comparação entre a imagem de satélite e o mapa “Eixo Rio de Janeiro – São Paulo”. No
mapa escolheu-se representar as estradas, mas decidiu-se não representar, por exemplo,
as redes de fios de eletricidade nem o volume de população que habita essa localidade
coberta pelo mapa. Todo mapa é assim. Sempre uma seleção de fenômenos. Mesmo
aqueles mapas que parecem representar tudo não conseguem essa façanha. Esse é o caso
da denominada carta topográfica.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
5
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
ORIENTAÇÃO RELATIVA: A ROSA DOS VENTOS
Para começo de conversa
Página 9
1. De fato, a impressão que temos, em função das grandezas e da velocidade dos
movimentos terrestres, é a de que realmente a Terra está parada, de que ela é estática.
Por isso, o arco que vemos do Sol – primeiro a Leste, depois sobre nossas cabeças e
então desaparecendo a Oeste – nos dá a impressão de movimento do Sol, quando na
verdade é a Terra que está se movimentando.
2. O movimento aparente do Sol é uma referência que permite identificarmos os pontos
cardeais. Se a janela do lado direito da classe, na posição do aluno, estiver voltada
para onde nasce o Sol esse lado será o Leste; o lado contrário o Oeste; à frente o
Norte; e atrás o Sul.
3. A resposta deve estar vinculada à localidade da escola. É preferível que haja
referência às cidades próximas. Não há problema que os alunos consultem mapas.
Pode parecer um exercício muito fácil, mas surpresas podem aparecer. O objetivo é
sedimentar a familiaridade com os pontos cardeais, para que o aluno efetivamente
apreenda o conceito.
Páginas 10 - 12
1.
a) Espera-se que o aluno responda positivamente, pois como esse movimento é
aparente, o Sol parece estar em diversas posições durante o dia. O aluno precisa
assimilar essa percepção, que nem sempre é óbvia.
b) É interessante que você estimule essa observação e que o aluno, ao notar onde o
Sol nasce e onde desaparece, indique uma referência que possa ser reconhecida por
todos. Por exemplo: o Sol nasce do lado direito da escola, na direção do morro tal; o
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
6
Sol desaparece do lado esquerdo da escola, na direção do rio tal. Isso vai permitir
verificar se todos da classe estão percebendo da mesma maneira.
c) É um movimento aparente. Não é possível demonstrar se o aluno não perceber
que o Sol muda de posição no decorrer do dia. A discussão sobre o que se
movimenta para essa mudança de posição vem em segundo lugar.
2.
a) Trata-se do movimento da Terra em torno de seu próprio eixo, conhecido como
movimento de rotação.
b) Sem dúvida há uma relação direta. Durante o período de 24 horas (23h56min),
que dura o movimento de rotação, parte da Terra fica exposta ao Sol (dia), enquanto
a parte oposta do planeta não é iluminada pelo Sol (noite).
c) Os polos Sul e Norte e as posições Leste e Oeste.
3. Professor, chame a atenção dos alunos para o fato de que esse esquema foi feito para
fins didáticos. A proporção entre o Sol e a Terra e a distância entre eles não são
essas.
a) Trata-se do movimento da Terra em torno do Sol. O movimento de translação
que leva 365 dias e 6 horas.
b) A translação é um movimento anti-horário (ao contrário do movimento dos
ponteiros de um relógio), o que é perceptível pelas setinhas desenhadas no percurso
da Terra. A figura mostra também que a Terra se movimenta em torno do Sol, com
seu eixo inclinado em relação ao plano de translação. Assim, nas diversas posições,
num momento o Hemisfério Sul é que está mais exposto ao Sol e, noutro, o
Hemisfério Norte. As datas de máxima desigualdade de iluminação nos hemisférios
Norte e Sul (22 ou 23 de junho e 22 ou 23 de dezembro) são chamadas de solstício,
enquanto as datas de máxima igualdade de iluminação nos hemisférios Norte e Sul
(20 ou 21 de março e 22 ou 23 de setembro) são chamadas de equinócio.
c) Essas diversas posições da Terra em relação ao Sol no decorrer do ano explicam
as diferentes intensidades da chegada de energia calorífera nos dois hemisférios
latitudinais da Terra (o Sul e o Norte). A distribuição diferenciada dessa energia
implicará no que chamamos estações do ano. Na figura, na posição dos dias 22 ou 23
de junho, a Terra está com o Hemisfério Norte projetado em direção ao Sol, o que
vai fazer com que os ângulos dos raios solares estejam mais próximos de 90º na
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
7
latitude do Trópico de Câncer, o que significa mais energia calorífera. Essa maior
exposição deve-se, como mostrado na figura, à inclinação do eixo da Terra em
relação ao plano da órbita. Por isso é verão naquele hemisfério e inverno no
Hemisfério Sul, que, nesse momento, está menos projetado em relação ao Sol, e os
raios solares chegam num ângulo mais inclinado. Isso vai significar menos energia
calorífera. Com essa mesma lógica explica-se as outras estações do ano.
Página 13
Esse exercício do presente para o passado é muito interessante. É um exercício de
reconhecimento do outro que contribui para o desenvolvimento de uma competência
muito importante: o compreender. O que se sabia na Antiguidade, o que se interpretava
dependia de observação direta, de olhar a natureza. É essa criança que receberá a carta.
Logo, para convencê-la sobre o fato de que o movimento do Sol é apenas aparente é
preciso empregar estratégias próprias. Somente de o estudante ter isso em mente, e ser
obrigado a fazer raciocínios específicos para a situação, já é de extrema valia e justifica
o exercício.
Incentive os alunos a elaborar ilustrações que auxiliem na sua explicação, exercício
esse que auxiliará na compreensão do conceito trabalhado.
Páginas 13 - 14
1. O nome da figura que representa os pontos colaterais é Rosa dos Ventos. Nela se
representam os pontos cardeais (principais) e os pontos colaterais (intermediários
entre os cardeais).
2. Com o braço direito estendido em direção à nascente do Sol chega-se ao Leste, logo
o braço esquerdo indica o Oeste.
3. Com o braço esquerdo voltado para o Oeste e o direito para o Leste, o menino tem a
sua frente o Norte e atrás o Sul.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
8
4.
Entre o Norte (N) e o Leste (E) Nordeste (NE)
Entre o Sul (S) e o Oeste (O) Sudoeste (SO)
Entre o Norte (N) e o Oeste (O) Noroeste (NO)
Entre o Sul (S) e o Leste (E) Sudeste (SE)
5. Esse aparelho é a bússola. Ele está para o espaço assim como o relógio está para o
tempo.
Página 14
É relativamente simples construir uma bússola em casa. A maior dificuldade está em
encontrar um ímã. São pequenos objetos naturais ou artificiais que têm a propriedade de
magnetismo, quer dizer, de atrair materiais ferrosos. Alerte os estudantes sobre o
manuseio da agulha para evitar que eles se firam. O professor de Ciências pode ajudar a
localizar, pois é comum nessa disciplina se propor experiências com o magnetismo.
O interessante é que, ao esfregar uma agulha no ímã, as propriedades magnéticas
passarão para a agulha, elemento-chave para a construção da bússola.
Na Terra há um acúmulo de materiais magnéticos próximo ao Norte magnético, e
uma agulha imantada sempre se deslocará para essa direção.
Página 15
Até agora os pontos cardeais foram encontrados, nas proposições anteriores,
utilizando a posição onde o Sol nasce (Leste) e daí deduziu-se o Oeste, o Norte e o Sul.
Agora essa localização será feita com um aparelho. Ela poderá ser feita à noite, por
exemplo. Este momento aplicativo é chave para a concretização desse conteúdo.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
9
Desafio!
Página 15
Caro professor, dependendo do mapa utilizado, as respostas podem ser um pouco
diferentes. Se o mapa tiver os limites municipais representados, os alunos terão outra
visualização da que terão se o mapa apenas indicar, com símbolos (bolas, por exemplo),
o centro dos municípios do Estado. Por este motivo, você precisa estar atento ao mapa
selecionado e acompanhar a realização da atividade, a fim de verificar se os alunos
sabem lidar corretamente com os pontos cardeais e colaterais.
1. Iguape está a(o) Nordeste de Cananeia e a(o) Leste de Registro.
2. Marília está a(o) Nordeste de Assis e a(o) Sudoeste de São José do Rio Preto.
3. São José dos Campos está a Nordeste de São Paulo e a(o) Sudeste de Moji-Mirim.
4. Fernandópolis e Ituverava estão situadas no Norte do Estado de São Paulo.
5. Teodoro Sampaio situa-se no Oeste do Estado de São Paulo.
Página 16
1. Alternativa e. Espera-se que o aluno compreenda que o movimento do Sol na
abóbada celeste é aparente e que resulta do giro da Terra em torno de si mesma.
2. Rotação: duração 24 horas (23h56min). Movimento da Terra em torno de seu próprio
eixo, é responsável pelos dias e pelas noites. Todos os outros planetas do Sistema
Solar estão em rotação; as velocidades são diferentes, mas é esse movimento o
responsável pela forma arredondada dos planetas, inclusive da Terra.
Translação: duração 365 dias (365 e 6 horas). É uma trajetória da Terra em torno do
Sol, e nesse percurso a Terra expõe diferentemente seus hemisférios em relação ao
Sol (em razão da inclinação do eixo da Terra). É um dos responsáveis pela
ocorrência das diferentes estações do ano.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
10
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
AS COORDENADAS GEOGRÁFICAS
Para começo de conversa
Página 17
1. Não, essa informação não é suficiente porque quando se indica um ponto cardeal ou
um colateral é preciso dar uma referência. Norte em relação a que ponto, a que
cidade? Uma mesma cidade pode estar ao Norte de uma cidade qualquer e ao Sul de
outra.
2. Norte em relação a quê? Que pontos de referência existem?
3. É sempre necessário usar outros pontos de referência para melhor localizar um ponto
num espaço. Nenhum ponto é o Norte absoluto (a não ser o núcleo do Polo Norte).
Todo Norte será Norte em relação a outro ponto que estará ao Sul.
Páginas 17 - 18
A figura é clara. A Terra é esférica e o navio no horizonte de um oceano vai
parecendo cada vez mais próximo em razão da curvatura do planeta. Aliás, essa é uma
das formas indiretas que nos faz perceber a curvatura da Terra.
Páginas 18 - 21
1.
a) Essa linha é o Equador. A palavra vem de equalis, que quer dizer igual. O
Equador corta a Terra em duas metades iguais.
b) A metade “de cima” é o Hemisfério Norte, e a metade “de baixo” é o Hemisfério
Sul.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
11
c) O exercício de colorir é um recurso com o objetivo de familiarização com o
Hemisfério Norte e com o Hemisfério Sul.
2.
a) Neste globo não estão todas as coordenadas geográficas. Estão apenas alguns
paralelos. O Equador é um dos paralelos, aliás, o paralelo 0º, que serve de referência
para a medida dos demais paralelos.
b) Esses números indicam a posição do paralelo no interior da circunferência que
representa a Terra. Uma circunferência possui 360º (esse “o” pequeno representa a
medida em grau). Porém, para efeitos de medida das latitudes, que são linhas paralelas
na circunferência, optou-se em se medir as latitudes a partir do Equador contando de 0o
a 90º Sul e de 0o a 90º Norte. Isso dá 180º. Acontece que as duas extremidades do
paralelo estão contempladas; logo, se somássemos, chegaríamos aos 360º.
c) Para posicionar corretamente os paralelos indicados será útil o estudante usar um
transferidor.
3.
a) Em relação à primeira figura, a diferença deste globo é que a grade de
coordenadas não está completa: só estão representados os meridianos.
b) Diferentemente da marcação dos paralelos, que se dá numa figura geométrica
que é a circunferência, os meridianos são estabelecidos numa esfera. São meio
círculos de polo a polo e um conjunto de dois meridianos opostos que constituem um
círculo inteiro. Qualquer meridiano divide a esfera em duas partes iguais, mas um
deles foi escolhido para ser o meridiano de referência, o meridiano 0º. Trata-se do
Meridiano de Greenwich, que corta a Inglaterra. Ao Leste (à direita) tem 180º e a
Oeste (à esquerda) tem mais 180º. Isso explica os números e o uso das iniciais dos
pontos cardeais.
c) Para acrescentar mais duas linhas de meridiano na posição correta pode-se usar
também o transferidor.
d) Essa área é chamada de Hemisfério Oeste ou Ocidental (tecnicamente), e
popularmente de Ocidente.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
12
4. Preenchendo os vazios do quadro:
Característica Coordenada
geográfica
Permite situar
Demarca as metades leste e oeste Greenwich Hemisférios Oriental e
Ocidental
Demarca as metades norte e sul Equador Hemisférios Sul e Norte
Perpendiculares a Greenwich Paralelos Latitudes
Perpendiculares ao Equador Meridianos Longitudes
Páginas 21 - 22
1. Palmas (TO).
2. Macapá (AP) ou São Gabriel da Cachoeira (AM).
3. Rio Branco (AC).
Página 23
1. A latitude é uma medida em graus obtida por paralelos traçados numa circunferência
que representa a Terra. Os paralelos vão de 0o a 90º em direção ao Sul e de 0o a 90º
em direção ao Norte. Cada paralelo é uma latitude Sul ou Norte.
2.
a) O movimento de rotação permite determinar as longitudes, que são medidas em
tempo, antes de tudo. Se soubermos a hora na longitude 0o e ao mesmo tempo a hora
em outra longitude a Oeste, dá para saber que longitude é essa.
b) Para que a Terra complete o movimento de rotação são necessárias 24 horas
(duração do dia), ou exatas 23h56min.
3. Para girar 15º a Terra leva uma hora em seu movimento de rotação, a 15º de um
ponto qualquer a Leste será uma hora mais. Por exemplo, se forem 8 horas nesse
ponto, em 15º a Leste já serão 9 horas e em 15º a Oeste serão 7 horas.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
13
4. Decidiu-se por um ponto para ser a referência para a medição das diversas horas da
Terra num mesmo momento e também para a medida das longitudes. Esse ponto de
referência é o Meridiano de Greenwich na Inglaterra. O meridiano 0o, a longitude 0o.
A partir desse ponto se estabelece os fusos horários.
Páginas 24 - 25
1. Em direção ao Leste as horas estão adiantadas em relação a Greenwich.
2. Em direção ao Oeste as horas estão atrasadas em relação a Greenwich.
3. Se a diferença em relação a Greenwich for de uma hora, isso corresponde a 15º de
diferença de longitude.
4. Cálculo das horas da Copa do Mundo.
a) Em Londres, na Inglaterra o jogo será assistido às 17 horas do dia 20 de junho.
b) Em Nairobi, no Quênia, às 20 horas do dia 20 de junho.
c) Na Cidade do México será às 11 horas do dia 20 de junho.
d) Em Sidney, na Austrália, será às 3 horas da manhã do dia seguinte, 21 de junho.
e) Em Los Angeles, nos EUA, será às 9 horas do dia 20 de junho.
Observação: De acordo com a Lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008, a partir da zero
hora de 24 de junho de 2008 vigoram no Brasil três fusos horários.
Página 26
Para se determinar a posição exata de um ponto qualquer do globo é preciso definir a
longitude e a latitude desse ponto. Cruzando esses dois elementos chega-se à posição
exata de um ponto qualquer.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
14
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
OS ATRIBUTOS DOS MAPAS
Para começo de conversa
Página 27
1. Não é sempre assim. Essas cores (o azul e o verde) são usadas em mapas para várias
finalidades e não são exclusivas para representar as águas e a vegetação.
2. Os mapas políticos representam, especialmente, fenômenos humanos como cidades,
estradas etc. Enquanto isso, os mapas físicos representam fenômenos naturais como
rede de rios, altitudes dos terrenos, distribuição das formações vegetais etc.
3. Com uma escala de cores. Cada cor representa uma altitude e isso pode ser
consultado na legenda.
4. Um mapa de São Paulo dentro do mapa do Brasil pode ter menos detalhes que um
mapa isolado de São Paulo. Existem mapas maiores e mapas menores de um mesmo
local, e essa variação chama-se escala cartográfica.
Páginas 28 - 31
1.
a) Estão representados os Estados brasileiros. Isso é perceptível porque para cada
Estado há uma cor e traços que delimitam um Estado do outro. Essa delimitação e o
fato de existirem Estados é um fenômeno humano. Os alunos podem também
identificar os rios e alguns países da América do Sul.
b) Por intermédio de cores.
c) Os principais elementos representados são fenômenos humanos: divisão dos
Estados e das principais cidades do Brasil.
d) Mapa político do Brasil.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
15
2.
a) Não há mais divisão marcando a existência de Estados nem indicação de
cidades. As cores assinalam os terrenos segundo as altitudes, o que pode ser
observado na legenda. É importante notar que as zonas verdes correspondem a certa
altitude (entre as mais baixas) e não a zonas de florestas. Do amarelo para o marrom
são terrenos altos e não terras sem vegetação. Aparece também uma densa malha de
rios: a rede hidrográfica.
b) Por cores diferentes se destacaram os terrenos de diversas altitudes médias. Mas
só é possível identificar quais as áreas mais altas e as mais baixas observando a
legenda, o que é um problema nesse mapa.
c) A cor verde não representa florestas, e sim uma determinada altitude (que está
entre as mais baixas). Isso demonstra que nos mapas existentes as cores têm um uso
diverso e nenhuma cor tem um uso exclusivo, nem mesmo o azul para a água.
d) São elementos da natureza: altitude e malha de rios. Logo, nesse mapa
predominam fenômenos naturais.
e) Mapa físico do Brasil.
3.
a) No primeiro mapa foram utilizados símbolos para representar as cidades. Na
legenda é possível ver que a bolinha com um ponto preto e um círculo representa as
capitais e a bolinha preta, outras cidades. Além disso, também são utilizados
símbolos para diferentes vias de acesso e limites territoriais.
b) Rio Branco, identificável no mapa pelo símbolo de Capital de Estado.
c) Foram utilizados os recursos da cor. A escala de cor empregada vai de um verde
escuro (altitude mais baixa) até um marrom escuro (a altitude mais elevada). Essa
escala compõe a linguagem do mapa.
d) Com esse recurso ficamos sabendo onde as terras são mais altas (altitude média).
Elas ficam em todas as áreas assinaladas com marrom escuro. Mas o mapa faz uso
também de pequenos símbolos que não aparecem na legenda que indicam os picos
mais altos: o mais alto fica ao Norte do Brasil e é conhecido como Pico da Neblina,
com 2 994 metros, na fronteira com a Venezuela.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
16
Páginas 32 - 34
1. Sim, a região metropolitana de São Paulo está representada nos dois mapas, mas
apenas no “Região metropolitana de São Paulo” constam os municípios que a
compõem.
2. O mapa “Região metropolitana de São Paulo”, pois nesse o território da área em
questão foi menos reduzido.
3. O mapa “Brasil: regiões metropolitanas, 2005” seria o mais adequado. Ele possui
escala menor, e isso permite visualizar as regiões metropolitanas na extensão do
Brasil.
4. Não, não seria possível. A escala do mapa “Brasil: regiões metropolitanas, 2005” é
pequena demais para representar esse tipo de detalhe.
Página 35
1. A resposta vai depender da escala gráfica do mapa escolhido.
2. Alternativa e. 6 centímetros x 50 quilômetros, que é o valor de cada intervalo da
escala gráfica.
3.
a) O título nos indica o tema que será tratado no mapa. Por exemplo: Distribuição
da população do Brasil; Rede hidrográfica do Brasil etc.
b) A legenda apoia a linguagem do mapa. Ela traduz o que os símbolos e as cores
utilizados significam.
Embora necessários, não são os elementos mais importantes dos mapas. O mais
importante é o mapa em si, que é o visual propriamente dito.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
17
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
A CARTOGRAFIA TEMÁTICA
Para começo de conversa
Página 36
1. A resposta é pessoal e depende do material pesquisado. Porém, é provável que se
encontrem mapas nas duas situações.
2. Os mapas que pretendem representar tudo o que existe na superfície terrestre (o que
não se consegue) são os mapas de base.
3. Os que representam apenas um ou dois fenômenos são os temáticos. Cada fenômeno
é um tema.
4. Atualmente, é cada vez mais comum mapas que mostrem fluxos. Por exemplo, onde
se produz petróleo e onde ele vai ser processado e consumido (e também em que
quantidade). Esse é um tipo de mapa temático e a representação é chamada
representação dinâmica (mostra movimentos).
5. Depende dos mapas encontrados. Em geral se representa os locais de produção com
símbolos que remetem a fábricas, usinas, centros de extração etc. A legenda nesse
caso indica e traduz a simbologia.
Página 37
É provável que a esta altura os estudantes não tenham dificuldades para identificar e
selecionar esses mapas temáticos e classificá-los segundo os grupos de fenômenos
naturais e humanos.
1. Em geral, os mapas têm indicação da escala cartográfica, mas nem sempre ela é
necessária, em função de uma série de detalhes técnicos da cartografia, área que
estuda e produz mapas.
2. Depende dos mapas pesquisados.
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
18
3. Varia de acordo com o que foi pesquisado, mas, de um modo geral, os mapas são
muito reduzidos, visto que predominam mapas do mundo, mapas do Brasil e dos
Estados em nossa cultura escolar. E, para representar vastos territórios, os mapas
devem ser muito reduzidos.
4. Depende do material pesquisado. É importante exercitar esse olhar para a qualidade
das representações e isso deve começar cedo.
5. Encontrados os mapas que representam fenômenos naturais é importante o aluno
listar os recursos de linguagem que foram empregados para a representação: cores,
símbolos etc. Mas é melhor fazer a observação antes de olhar as legendas.
6. Depende dos mapas pesquisados. No mais, os mesmos comentários da proposta
anterior se aplicam aqui.
Páginas 38 - 39
1.
a) Representa a situação dos países em relação ao poderio nuclear militar e aos
tratados e convenções internacionais que visam a impedir a proliferação de armas de
destruição massiva. Nota-se que apenas alguns países possuem armamentos nucleares.
b) Sim, esse é um mapa qualitativo, pois representa ocorrências de fenômenos
diversos: 1. Posições diferentes de alguns países em relação às armas nucleares de
destruição massiva; 2. Localidades não signatárias de tratados e convenções
internacionais contra a proliferação de armas de destruição massiva.
2.
a) Trata-se um mapa-múndi sobre o qual foram aplicados círculos de diversos
tamanhos. Nota-se uma maior concentração desses círculos em certas áreas,
enquanto em outras há maior dispersão, por exemplo, na América do Sul. Fica muito
evidente onde se compra mais armas. Os círculos maiores representam compradores
maiores de armas. A relação é direta.
b) Sem dúvida, esse é um mapa quantitativo, visto que mostra, por intermédio dos
círculos proporcionais (que podem ser quantificados exatamente recorrendo-se ao
GABARITO Caderno do Aluno Geografia – 5a série/6º ano – Volume 2
19
ábaco – legenda de mapa quantitativo), as quantidades de armas que estão sendo
compradas e por quais países estão sendo adquiridas
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
RESPEITO MÚTUO
RESPEITO MÚTUO
Maria Radespiel
“O tema ‘respeito’ é central na moralidade. E também é complexo, pois remete a várias dimensões de relações entre os homens, todas “respeitosas”, mas em sentidos muito diferentes. Pode-se associar respeito à idéia de submissão. É o caso quando se fala que alguma pessoa obedece, incondicionalmente, a outra. Tal submissão pode vir do medo: respeita-se o mais forte, não porque mereça algum reconhecimento de ordem moral, mas simplesmente porque detém o poder. Porém, também pode vir da admiração, da veneração (porque é mais velho ou mais sábio, por exemplo), ou da importância atribuída a quem se obedece ou escuta (diz-se "respeito muito as opiniões de fulano”). Nesses exemplos, o respeito é compreendido de forma unilateral: consideração, obediência, veneração de um pelo outro, sem que a recíproca seja verdadeira ou necessária.
Um intelectual observou bem a presença desse respeito unilateral na sociedade brasileira, por meio de uma expressão popularmente freqüente: “Sabe com quem está falando?”. Essa expressão traduz uma exigência de respeito unilateral: “Eu sou mais que você, portanto, respeite-me”. É a frase que muitas “autoridades” gostam de empregar quando se sentem de alguma forma, desacatadas no exercício de seu poder.
Porém, outra expressão popular também conhecida apresenta uma dimensão diferente do respeito: “Quem você pensa que é?”. Tal pergunta traduz a destituição de um lugar imaginariamente superior que o interlocutor pensa ocupar. Essa expressão é a afirmação de um ideal de igualdade, ou melhor, de reciprocidade: se devo respeitá-lo, você também deve me respeitar; não é a falta de respeito, mas sim a negação de sua associação com submissão. Trata-se de respeito mútuo. E o predicado “mútuo” faz toda a diferença.
Ora, é claro que tanto a dignidade do ser humano quanto o ideal democrático de convívio social pressupõem o respeito mútuo, e não o respeito unilateral.
(...) respeitar e ser respeitado: ao dever de respeitar o outro, articula-se o direito (e a exigência) de ser respeitado. Considerar o respeito mútuo como dever e direito é de suma importância, pois, ao permanecer apenas um dos termos, volta-se ao respeito unilateral: “devo respeitar, mas não tenho direito de exigir o mesmo” ou “tenho o direito de ser respeitado, mas não o dever de respeitar os outros”.
O respeito pelos lugares públicos, como ruas e praças, também deriva do respeito mútuo. Como tais espaços pertencem a todos, preservá-los, não sujá-los ou depredá-los é dever de cada um, porque também é direito de cada um poder desfrutá-los.” (RADESPIEL, Maria. Alfabetização sem Segredos (temas transversais). Ética. Belo Horizonte : Editora IEMAR, s/d. p. 11 e 12.)
Com base no texto acima, responda, conforme se pede, às questões Um e Dois.
1ª Questão: O tema “respeito” é central na moralidade. Podemos associá-lo à idéia de submissão quando é unilateral ou a um ideal de igualdade e reciprocidade , quando o respeito é mútuo.
Assinale xis na alternativa abaixo que pressuponha o respeito em seu ideal de igualdade e reciprocidade:
A – “Tenho o direito de ser respeitado, mas não o dever de respeitar os outros”.
B – Tenho o dever de respeitar os outros, mas não tenho o direito de ser respeitado.
C – Tenho o direito de ser respeitado, assim como eu respeito a mim mesmo.
D – Tenho o dever de respeitar o outro, e o direito de ser respeitado.
2ª Questão: “Respeitar e ser respeitado: ao dever de respeitar o outro, articula-se o direito (e a exigência) de ser respeitado...”.
Diante dessa premissa podemos afirmar que:
A – O respeito é mútuo e unilateral.
B – Ao dever de desrespeitar o outro, articula-se o direito de ser respeitado.
C – Considerar o respeito mútuo como dever e direito é de suma importância.
D – Ao dever de respeitar o outro, articula-se o direito de ser desrespeitado.
3ª Questão: Você respeita seus pais? Por quê? De que forma eles se fazem respeitar? Esse respeito é mútuo ou é unilateral?
4ª Questão: Você respeita seus professores? Por quê? De que forma eles se fazem respeitar? Esse respeito é mútuo ou é unilateral?
5ª Questão: Por que você é agressivo? Assinale xis na alternativa abaixo que mais se aproxima de você.
A – Eu me considero menos que as outras pessoas.
B – Eu me acho o máximo. Simplesmente demais!
C – Eu aprendi a ser agressivo com a minha família.
D – Eu não me acho agressivo. Acredito no respeito mútuo.
Justifique sua resposta.
6ª Questão: Determinados professores não são respeitados por que “não põe moral na turma”. O que isso significa?
7ª Questão: Escreva um texto explicando a importância de se respeitar as pessoas.
Maria Radespiel
“O tema ‘respeito’ é central na moralidade. E também é complexo, pois remete a várias dimensões de relações entre os homens, todas “respeitosas”, mas em sentidos muito diferentes. Pode-se associar respeito à idéia de submissão. É o caso quando se fala que alguma pessoa obedece, incondicionalmente, a outra. Tal submissão pode vir do medo: respeita-se o mais forte, não porque mereça algum reconhecimento de ordem moral, mas simplesmente porque detém o poder. Porém, também pode vir da admiração, da veneração (porque é mais velho ou mais sábio, por exemplo), ou da importância atribuída a quem se obedece ou escuta (diz-se "respeito muito as opiniões de fulano”). Nesses exemplos, o respeito é compreendido de forma unilateral: consideração, obediência, veneração de um pelo outro, sem que a recíproca seja verdadeira ou necessária.
Um intelectual observou bem a presença desse respeito unilateral na sociedade brasileira, por meio de uma expressão popularmente freqüente: “Sabe com quem está falando?”. Essa expressão traduz uma exigência de respeito unilateral: “Eu sou mais que você, portanto, respeite-me”. É a frase que muitas “autoridades” gostam de empregar quando se sentem de alguma forma, desacatadas no exercício de seu poder.
Porém, outra expressão popular também conhecida apresenta uma dimensão diferente do respeito: “Quem você pensa que é?”. Tal pergunta traduz a destituição de um lugar imaginariamente superior que o interlocutor pensa ocupar. Essa expressão é a afirmação de um ideal de igualdade, ou melhor, de reciprocidade: se devo respeitá-lo, você também deve me respeitar; não é a falta de respeito, mas sim a negação de sua associação com submissão. Trata-se de respeito mútuo. E o predicado “mútuo” faz toda a diferença.
Ora, é claro que tanto a dignidade do ser humano quanto o ideal democrático de convívio social pressupõem o respeito mútuo, e não o respeito unilateral.
(...) respeitar e ser respeitado: ao dever de respeitar o outro, articula-se o direito (e a exigência) de ser respeitado. Considerar o respeito mútuo como dever e direito é de suma importância, pois, ao permanecer apenas um dos termos, volta-se ao respeito unilateral: “devo respeitar, mas não tenho direito de exigir o mesmo” ou “tenho o direito de ser respeitado, mas não o dever de respeitar os outros”.
O respeito pelos lugares públicos, como ruas e praças, também deriva do respeito mútuo. Como tais espaços pertencem a todos, preservá-los, não sujá-los ou depredá-los é dever de cada um, porque também é direito de cada um poder desfrutá-los.” (RADESPIEL, Maria. Alfabetização sem Segredos (temas transversais). Ética. Belo Horizonte : Editora IEMAR, s/d. p. 11 e 12.)
Com base no texto acima, responda, conforme se pede, às questões Um e Dois.
1ª Questão: O tema “respeito” é central na moralidade. Podemos associá-lo à idéia de submissão quando é unilateral ou a um ideal de igualdade e reciprocidade , quando o respeito é mútuo.
Assinale xis na alternativa abaixo que pressuponha o respeito em seu ideal de igualdade e reciprocidade:
A – “Tenho o direito de ser respeitado, mas não o dever de respeitar os outros”.
B – Tenho o dever de respeitar os outros, mas não tenho o direito de ser respeitado.
C – Tenho o direito de ser respeitado, assim como eu respeito a mim mesmo.
D – Tenho o dever de respeitar o outro, e o direito de ser respeitado.
2ª Questão: “Respeitar e ser respeitado: ao dever de respeitar o outro, articula-se o direito (e a exigência) de ser respeitado...”.
Diante dessa premissa podemos afirmar que:
A – O respeito é mútuo e unilateral.
B – Ao dever de desrespeitar o outro, articula-se o direito de ser respeitado.
C – Considerar o respeito mútuo como dever e direito é de suma importância.
D – Ao dever de respeitar o outro, articula-se o direito de ser desrespeitado.
3ª Questão: Você respeita seus pais? Por quê? De que forma eles se fazem respeitar? Esse respeito é mútuo ou é unilateral?
4ª Questão: Você respeita seus professores? Por quê? De que forma eles se fazem respeitar? Esse respeito é mútuo ou é unilateral?
5ª Questão: Por que você é agressivo? Assinale xis na alternativa abaixo que mais se aproxima de você.
A – Eu me considero menos que as outras pessoas.
B – Eu me acho o máximo. Simplesmente demais!
C – Eu aprendi a ser agressivo com a minha família.
D – Eu não me acho agressivo. Acredito no respeito mútuo.
Justifique sua resposta.
6ª Questão: Determinados professores não são respeitados por que “não põe moral na turma”. O que isso significa?
7ª Questão: Escreva um texto explicando a importância de se respeitar as pessoas.
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Aqui estão todos os resumos desde o começo do ano2011
Obs: Aqui estão todos os resumos desde o começo do ano2011 !
Geografia
Ficha 1
No final da Segunda Guerra Mundial, Oppenheimer percebeu que 90% dos sábios que a humanidade produziu estavam vivendo em sua época, e que metade dessa quantia vivia nos EUA. A partir dessa análise é possível perceber que qualquer ciência que exista está relacionada com a política. As ciências humanas, articuladas com a ideologia e a política, fazem parte do processo de produção do conhecimento. Enquanto isso, as naturais precisam estar isoladas da sociedade, para depois serem aplicadas no cotidiano das pessoas.
Ciências Humanas e Naturais
As ciências naturais, na etapa da pesquisa, diferem muito das humanas. A primeira procura reproduzir certas condições em laboratório e com ratos, para depois, com base nos resultados obtidos aplicarem os conhecimentos na sociedade. Alguns fenômenos biológicos não permitem a aplicação completa dos resultados obtidos na sociedade, pois não é ,de certa, forma um fato que se repete dentro do laboratório e fora dele em todos os casos, e acaba se tornando uma probabilidade. Apenas quando os cientistas analisam todas probabilidades possíveis do tal fato é possível aplicar os resultados na sociedade.
Enquanto isso, a segunda ciência, não pode ser pesquisada em laboratório, tanto que muitas pesquisas de probabilidade acabam errando o resultado. Como por exemplo o erro que ocorreu nas disputas eleitorais entre Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros. Além disso, na maioria das vezes não é possível prever leis de causa e conseqüência, já que a sociedade não é fixa, ou imutável. Outra grande diferença é que, enquanto nas ciências naturais a crença do cientista é completamente neutra (ou pelo menos deveria ser), nas ciências humanas a crença do cientista é vital, pois ele faz parte da ideologia envolvida em seu objeto de estudo, a sociedade.
Apesar de que os cientistas naturais estejam completamente alienados da sociedade enquanto realizam suas pesquisas, é relevante mostrar que muitas vezes seus estudos podem ser transformados em base de dados para pesquisas humanas e ideológicas, como ocorreu com a Teoria da Evolução das Espécies de Darwin, que pela ideologia, acabou se transformando em Darwinismo Social.
Verdade e Ideologia
O conceito de ideologia é bem amplo e varia muito entre os filósofos. Podemos considerar que ideologia é um sistema de conceitos baseados em ciências humanas e naturais interligados e aceito por uma parte da população da sociedade em determinada época.
Na constituição de uma ideologia, as ciências humanas são as principais negadoras ou “difundidora” de conceitos e interpretadoras de muitos conceitos criados pelas ciências naturais. Surge então uma questão: Por que acreditar em ideologias se estão diretamente relacionadas com interesses e visões de certa parcela da sociedade?
Assim como todo conhecimento que se produziu na história da humanidade, as ideologias não podem ser consideradas verdades absolutas. Mesmo as ciências naturais não podem, pois as verdades são mutáveis. Um exemplo é de quando Einstein descobriu que as leis de Newton não podiam ser aplicadas no Universo.
Por isso, uma ideologia só é considerada verdade quando a capacidade de entender o mundo dessa ideologia é vitoriosa sobre outra, logo depende fortemente da história para comprovar a verdade. Mas enquanto o tempo histórico não anda, como provar que uma ideologia é mais correta que a outra?
Teorias em ciências humanas devem ser baseadas em um conjunto de conceitos coerente, chamado de metodologia, e devem ser comparadas e até testadas em certa parcela da sociedade. E assim fica possível separar claramente ideologias, como a superioridade da raça ariana, de outras mais corretas. Contudo essa metodologia não exclui a possibilidade de coexistir duas teorias conflitantes.
Ideologia e Hegemonia
Como sabemos, as ideologias tem forte influência na sociedade e podem ser utilizadas para fortalecer ou acabar com a ordem vigente. Quando uma ideologia está desgastada pelo tempo, ou seja, já não é aplicável na sociedade da época, novas ideologias surgem. Os que estão no poder as utilizam para se fortalecer, enquanto os que querem subir na hierarquia social as utilizam para acabar com a ordem vigente.
O uso de ideologia varia de acordo com o sistema político de um país: em uma democracia, onde a força não pode existir, a ideologia tem um papel fundamental; na ditadura ela aparece junto com a força, porém em menor escala.
Ficha 5
A Geografia sempre foi utilizada para explicar fenômenos naturais e sempre trabalhou com a localização das coisas. Porém, para explicar fenômenos sociais atuais, a Geografia precisa sair do plano do descritivo, para entrar no explicativo.
O Espaço Geográfico
Antigamente se definia o espaço como absoluto, onde todas as coisas estão presentes atuando sobre ele. O espaço geográfico era tido como o palco de todas ações humanas, sendo que sua influência não afetava as ações humanas. Hoje em dia excluímos a idéia de espaço absoluto para a entrada do espaço relativo. O conceito de espaço geográfico atual é todas as coisas e suas relações. A cidade que antes estava no espaço, agora é o espaço. Com base nisso podemos afirmar que o homem constrói o próprio espaço geográfico, um espaço social, elemento da sociedade.
O Espaço Geográfico como Componente da Sociedade
As relações sociais dependem basicamente da distribuição do espaço geográfico e ao mesmo tempo afetam o espaço. Por isso a distância geográfica é um dos determinantes das relações sociais. Esta distância não só é a tradicional (possível de ser medida, metros, quilômetros), mas também a distância dos meios de comunicação. Um bom exemplo é de um homem de negócios que vive em um condomínio fechado próximo a uma favela. Apesar de haver essa proximidade da favela, o homem não tem relações sociais com as pessoas que lá vivem, mas tem relações com outros homens de negócios em outros países, graças aos meios de comunicação.
Para a nação, diminuir as distâncias dos meios de comunicação, pode ajudar a resolver as distâncias naturais. Melhorar os meios de comunicação aumenta as relações sociais das pessoas, o que pode melhorar os problemas econômicos sociais. Logo podemos perceber que a distância afeta diretamente o espaço.
Outro fator importante no espaço é o objeto geográfico. Este é qualquer coisa desde que o homem a tenha atribuído uma função. Uma estrada é um objeto geográfico, pois foi construído com a finalidade de ser uma via de transportes. Uma montanha, ou qualquer paisagem também pode ser um objeto geográfico, apesar de não ter sido construído pelo homem, ele pode dar uma finalidade, um valor a montanha ou a paisagem. Estes objetos têm grande importância no espaço geográfico, pois eles influenciam claramente nos interesses das pessoas, nas nações, logo nas relações entre elas. Para visualizar melhor essa influência é só pensar no exemplo do petróleo como objeto geográfico. As relações entre os países mudam muito quando descobrem petróleo em algum território.
Globalização e o papel do Estado no mundo moderno
Muitas vezes, quando pensamos em globalização, pensamos em relações internacionais pelo planeta inteiro, a multiplicação do mercado consumidor, dos meios de produção, ou seja do capitalismo. De certa forma, isso já vinha ocorrendo antes, desde as grandes navegações, portanto se a globalização for só isso, ela não é algo novo. Sua novidade é o modo que ela vem afetando o poder do Estado. Nos séculos anteriores o Estado sempre foi forte, comandava e organizava a economia. Hoje em dia, as transnacionais vêm tirando o poder dos Estados, ele não tem mais a mesma autonomia, pois uma transnacional está acima do Estado.
Ficha 6
Territórios e redes geográficas
Território nacional é o espaço geográfico de um país, ou seja, é todo espaço físico que ele tem, somado a todas as relações sociais, culturais, econômicas, políticas nesse espaço. O espaço físico ou as relações por si só não são o território nacional. Quando dizemos que alguma empresa ou família se “territorializa” significa que ela se inseriu no espaço geográfico do território nacional.
Já rede geográfica é uma forma seletiva do espaço geográfico, um uso reticular, de modo que todas as relações não se inserem no espaço delimitado. Um bom exemplo é o condomínio fechado. Podemos perceber que é uma forma seletiva do espaço geográfico. As pessoas que ali moram tem suas relações sociais delimitadas apenas com os que moram no condomínio. O mesmo se aplica a empresas e lojas em shoppings ou calçadões. As relações são selecionadas.
Podemos dizer que as transnacionais se inserem nos países nas redes geográficas, se “territorializando” o mínimo possível. Muitas vezes o Estado cria um espaço esterilizado (com isenção de impostos, preço mais barato do terreno) para a entrada de uma transnacional acreditando que essa empresa irá trazer desenvolvimento, tecnologia, empregos, etc... Porém isso não acontece, e o Estado acaba ficando dependente dessa transnacionais e perde poder para a esfera global.
Espaço Nacional e Espaço Globalizado
Ainda não é possível dizer que exista um espaço geográfico global. O que ocorre são implantes globais nos espaços nacionais. Nessas redes geográficas as normas do espaço nacional não são válidas, as que valem são as que atendem a globalização.
Como já dito antes, o Estado vem perdendo seu poder, isto ocorre pois o Estado moderno não consegue dar conta de regular os empreendimentos econômicos e ao mesmo tempo cuidar das condições da população (educação, saúde, saneamento, moradia, etc.), por isso os Estados acabam entrando em crise com economias desestabilizadas. Então, com a idéia ilusória de trazer desenvolvimento econômico ao país, entendido como estar inserido na globalização, os Estados abrem as portas e esterilizam territórios para as transnacionais. A partir desse momento o Estado perde parte de seu poder, já que a economia não é regulada exclusivamente por ele.
Horizontalidades e Verticalidades
As relações podem ser divididas das seguintes formas:
Plano Horizontal: Conjunto de relações desenvolvidas no território nacional.
Plano Vertical: Conjunto de relações que se desenvolvem nas redes mundiais e ao mesmo tempo com os espaços nacionais.
Hoje em dia os países têm relações tanto no plano horizontal quanto vertical. Podemos explicar o mesmo processo de perda de poder do Estado com base nesses dois tipos de relações: As verticalidades das redes da globalização absorvem recursos públicos nacionais para se manterem funcionando e acabam determinando o modelo de desenvolvimento dos países.
Há uma grande polêmica sobre as riquezas geradas pela globalização. Os a favor da globalização afirmam que a melhor opção para os Estados se desenvolverem economicamente e socialmente é abrirem suas portas para a economia global. Por outro lado os críticos da globalização afirmam que isso não passa de um discurso ideológico para ocultar a ausência de benefício às sociedades nacionais e permitirem um livre comércio sem fronteiras, global, pois na esfera global não tem governo, limitações.
Ficha 7
A Modernização Brasileira
Desde a globalização, as nações vêm se modernizando e se aumentando a escala geográfica de suas ações, tanto no interno como no externo. Os Estados Unidos por exemplo, tem suas ações tão aumentadas que a escala de suas ações é planetária. O Brasil também vem realizando esse processo. Pois mesmo sendo produto de relações externas, ou seja foi criado de fora pra dentro, suas relações internas tem extrema escala de ação. Por esse motivo, não podemos estudar nossa nação com a geografia tradicional que se baseia em “descritivismos”, pois afinal, as relações sociais estão totalmente relacionadas com o espaço geográfico e dependem de como ele as molda.
A expansão do mundo moderno
A modernidade já vem se expandindo, pois é esta sua natureza, a duzentos anos. Ela começou com o surgimento dos estados modernos que são a estrutura da modernidade na Europa, por isso podemos chamá-la também de europeização ou ocidentalização.
Principais mudanças no período da modernidade
Surgimento do Estado centralizado: o Estado centralizado é o estruturador da modernidade. Ele é responsável pelo domínio militar e jurídico, transporte, saúde, saneamento. Pode interferir na economia. Entre outras funções.
Aparição das Nações: A idéia de nação surgiu no Renascimento para reforçar a integração do indivíduo com o novo Estado.
Mudança Radical da Economia: A economia cresce, devido ao crescimento do mercado e da produção. Isso só se dá devido a inovação tecnológica, o motor da economia.
Tecnização do Espaço Produtivo: Dá-se em dois caminhos: como parte do sistema produtivo e aumentando o espaço fluido, ou seja as comunicações entre o espaço geográfico com os avanços tecnológicos de transporte e comunicação.
O mercado como centro da vida material: Tanto as nações quanto os indivíduos ficaram totalmente dependentes do mercado. As formas de auto-subsistências tendem a sumir.
A urbanização do modo de vida: As cidades vêm se mostrando o principal lugar de se viver na modernidade. Isto ocorre pois ela facilita e aumenta as relações sociais e também a subordinação das pessoas ao mercado.
Novas fontes de poder político: Antes, as fontes de poder político pertenciam ao Estado Monárquico ou Absoluto, agora o poder político depende do poder econômico.
O surgimento do individualismo: O indivíduo se torna o principal personagem da modernidade, direitos humanos e individuais para o bem dele são criados.
Internacionalização da vida moderna: Como as nações vem procurando aumentar a escala de suas ações externas, ocorre uma exportação para todos os cantos do mundo.
Globalização: Forma do avanço da modernidade, principalmente no âmbito econômico.
A modernização, além de ter ocorrido de forma conflitante e desigual, não se deu plenamente em lugar algum, ou seja, nem mesmo as potências têm suas modernizações completas. A modernização tem alguns elementos decisivos:
1. A modernização nunca substitui o modo de vida preexistente em uma parte do planeta, ela transforma-o.
2. A modernização não ocorre ao mesmo tempo nas nações, hoje em dia, com duzentos anos, alguns países já estão bem avançados e outros ainda estão no começo, como por exemplo Brasil e Inglaterra.
3. A modernização é desigual e ocorre em diferentes velocidades em cada nação.
4. Apesar da modernização ter ocorrido no planeta inteiro, ela é diferente em cada país, não se pode generalizá-la, cada país é cada país.
A modernização e o Brasil
A modernização no Brasil ocorre desde a segunda metade do século XX, porém ela se iniciou num país completamente diferente do atual. O Brasil naquela época era rural, escravista, não tinha uma democracia forte. Ou seja, o país não estava pronto para se modernizar, porém de forma bruta isto ocorreu. Em 50 anos ocorreu uma intensa industrialização, um êxodo rural para as cidades, criação de infra-estrutura para a modernização, etc...
A modernização desigual
O que ocorreu no Brasil é que a economia se modernizou muito, enquanto o social e o político modernizaram muito pouco. Mesmo assim a modernidade alcançou o político-social, mas para atender a modernização do econômico. Graças a isso há essa grande desigualdade social no Brasil e os escândalos políticos. Acredita-se também que houve certo impulso do Brasil após a segunda guerra, mas só para alguns, o que aumentou a desigualdade.
Não podemos afirma que só as elites construíram o Brasil, as classes mais pobres também ajudaram, apesar de que as elites não enxerguem as classes pobres. Como a modernização social e o política foi voltada à econômica, apenas aqueles que conseguiram atingir um padrão econômico são beneficiados pelo social e pela política brasileira.
Ficha 8
A Nova Ordem Mundial
Para haver uma ordem mundial é preciso de um espaço mundial unificado, que só foi possível depois das expansões marítimas européias no séc XV e XVI. É impossível de haver uma ordem mundial se o mundo inteiro não participar. A ordem mundial é uma situação de equilíbrio instável entre as nações. Ela permanece até uma forte mudança e depois se configura de outra forma. Vale a pena ressaltar que o sentido de ordem não é positivista (sem conflitos) e sim dialética (com muitos conflitos), não é à toa que essa ordem é instável.
Junto com essa idéia, surge também a noção de potência mundial. No plano teórico, os Estados tem poder equivalente no mundo, porém ao olharmos na nossa ordem mundial isso não ocorre. O Estado de cada país só é soberano em seu território, na ordem mundial seu poder varia e depende diretamente das relações diplomáticas (política, força bélica) e das cotidianas (comerciais, financeiras, culturais) com outros Estados.
Uma ordem mundial é definida pelo número de potenciais mundiais. Se tiver apenas uma potência hegemônica, a ordem é chamada de unipolar, se tiver duas, bipolar, várias, multipolar. Hoje ainda está em discussão se vivemos em um mundo cuja ordem é unipolar ou multipolar. Os que defendem a unipolaridade afirmam que as relações diplomáticas são os fatores decisivos para ser uma potência mundial. Por isso os Estados Unidos é a grande potência, já que, após a derrocada da União Soviética, é o Estado com maior poderio bélico. Os que defendem a multipolaridade afirmam que as relações cotidianas são os fatores que definem se um Estado é ou não uma potência mundial. Eles acreditam que a maioria da Europa e os Estados Unidos são as grandes potências por terem um forte poder econômico.
As crises mundiais, como por exemplo a Guerra do Golfo, conflitos no Kosovo, a luta contra o terrorismo e a ocupação do Iraque, são usadas como argumento para ambos os lados. Para os que acreditam na unipolaridade, esses conflitos são evidências de que o Estados Unidos não tem concorrentes, no caso da ocupação do Iraque, nem mesmo a ONU foi capaz de pará-los. Já os que defendem a multipolaridade afirmam que nesses conflitos os Estados Unidos não atuou sozinho, ele buscou ajuda da Europa, China, Rússia e até da ONU.
Independente de ser unipolar ou multipolar, a nova ordem mundial tem papel importante no planeta. Seja com a Terceira Revolução Industrial, ou seja a revolução técnico-científica, uma globalização capitalista e o surgimento de blocos regionais (não sei se está correto, mas um exemplo pode ser a União Européia, ou até a nova união feita pelo nosso presidente na América do Sul). Esses três fatores têm extrema relação com o que vem ocorrendo hoje em dia. O novo mercado de trabalho, com mão de obra em menor número, porém com maior qualidade e também o crescimento da importância das telecomunicações são resultado da Terceira Revolução Industrial.
Ficha 9
Ensaio Sobre A Nova Ordem Mundial
Diferentemente do outro texto, que mostra os dois lados da nova ordem mundial, esse defende que ela é unipolar.
Estamos vivendo em uma época em que o Estado e assim como alguns órgãos internacionais como a ONU sofrem uma crise de poder. Isso ocorre graças à nova ordem mundial unipolar.
Acompanhada da globalização, a nova ordem mundial é caracterizada pela soberania política, econômica, militar, tecnológica e cultural. Os Estados Unidos, a atual potência mundial tem o poder soberano e com isso faz com que os outros Estados, em decadência, apenas sejam reduzidos em todos os âmbitos.
Voltando no tempo, o mundo já enfrentou fases de multipolaridade, e bipolaridade. A época multipolar pode ser considerada antecedente à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, quando vários países dividiam a soberania econômica, política, cultural e militar do mundo. Logo depois dessa época surgiu o mundo bipolar, em que os Estados Unidos dividiam a soberania com a União Soviética. Com a queda do muro de Berlim em 1989 e a derrocada do “socialismo real” em 1991 o Estados Unidos assumiu a soberania do mundo sozinho, tornando a nova ordem mundial unipolar.
A grande potência mundial pode interferir de acordo com seus interesses em qualquer negócio, projeto, economia de outra nação. Qualquer nação que vá contra seus interesses é hostilizada.
O enfraquecimento dos Estados e da ONU se deve ao fato de que estes órgãos perderam sua soberania e assim seu poder político. Um Estado sem soberania é um simples território e a ONU é praticamente nada.
Como já dito antes, o fim da soberania dos Estados é o fim da política. Com o fim da política em cada nação acaba ocorrendo que o único país com política forte, os Estados Unidos, acabe sendo soberano. Com isso, a política fica sendo reduzida ao que vemos no Brasil, à mentira, promessas não cumpridas, governos corruptos. A política passa a ser apenas ilustrativa, e o pior, engana o povo, pois fica impedido de ver o real autoritarismo. Isto sem contar como facilmente o povo é manipulado, pois os meios de comunicação são controlados pelos donos dos meios de comunicação. Um exemplo é o Brasil, onde seus meios de comunicação reproduzem exatamente o que foi produzido lá fora, sem criar nada de novo, apenas copiando. Isto ocorre com idéias, hábitos, política, cultura em geral.
O fundamento dessa nova ordem mundial é a liberdade. Quantas vezes não ouvimos dizer que os Estados Unidos é o país da liberdade? E de fato sabemos que isso não é verdade. Vivemos em uma época em que ainda há desemprego, violência, medo do futuro.
O mundo é monopolizado pelo Estado-único, enquanto isso os outros Estados cedem seu poder a corporações transnacionais como o FMI, o BID, o Banco Mundial, o BIRD, etc...
Com base em tudo isso, pode-se concluir que na nova ordem mundial reina o mercado único. Além disso estabelece também um exército único (a OTAN?). Este é responsável por atender os interesses da potência mundial. O que percebemos ao observarmos as ações desse exército é que ele interfere em qualquer conflito independente da autorização da ONU. Um dos seus objetivos é intervir em movimentos separatistas, como por exemplo o conflito do Kosovo. Com Estados divididos e mais fracos, o Estado-único fica ainda mais forte. Muitas vezes os conflitos não são nem históricos ou étnicos e sim criados pela próprio OTAN.
A Pax Americana
A pax americana é uma analogia a pax romana que teve no Império Romano. Os romanos controlavam toda as tribos e cidades com a força bélica, impunha seus interesses e sua cultura. É o mesmo que ocorre atualmente, porém os Estados Unidos são os romanos e os resto do mundo é o resto do território romano. Mais da metade dos países do mundo é vítima ou está ameaçado por sanções econômicas decretadas pela potência. Já os países que foram contra os Estados Unidos, como Cuba, Coréia do Norte, Iugoslávia, Iraque, etc...foram atacados ou isolados do mundo. Os países que sofrem com isso não tem nada a fazer, pois se recorrerem a ONU nada irá acontecer, já que ela foi “esvaziada”, e mesmo se ela tentar fazer algo os Estados Unidos não irá obedecer, como fez quando invadiu o Iraque ou quando bombardeou a Iugoslávia.
Vale a pena ressaltar que o poder dos Estados Unidos é universal, ninguém pode impedi-lo e todos seus interesses ultrapassam os limites territoriais do país, ou seja, seus limites geográficos são os limites do mundo.
A Globalização da Nova Ordem Mundial
Como já dito antes, a nova ordem mundial e a globalização estão interligadas. Como já estudado, a globalização é a mundialização do capital, ou seja, a expansão do capitalismo financeiro em cima do capitalismo de produção. Com isso gera um mercado livre e único, que leva consigo aspectos além de econômicos, como culturais, militares, ideológicos, etc...
Ela homogeneíza a cultura, o american way of life, homogeneíza o exército, a OTAN, homogeneíza o povo, homogeneíza a ideologia, com a idéia do bem e do mal. Enquanto os Estados Unidos é o bem, os países que vão contra são o mal e para justificar seus atos acusa-os de terrorismo, criadores de armas nucleares ou socialistas.
Os Estados Unidos e a Globalização: um caso de sucesso econômico
Com certeza o país que mais se beneficiou com a globalização, como mostrado em todo texto, foi os Estados Unidos. Enquanto a maioria dos países passava por crises, os Estados Unidos crescia. O que para a hegemonia dos americanos é melhor ainda pois acentua sua soberania. Além disso, podemos concluir que a riqueza dos Estados Unidos é uma das causas da pobreza do mundo.
O resumo do texto 9 ficou meia boca, e parei só até o penúltimo tópico, pois me falaram que os dois últimos não iam cair.
Geografia
Ficha 1
No final da Segunda Guerra Mundial, Oppenheimer percebeu que 90% dos sábios que a humanidade produziu estavam vivendo em sua época, e que metade dessa quantia vivia nos EUA. A partir dessa análise é possível perceber que qualquer ciência que exista está relacionada com a política. As ciências humanas, articuladas com a ideologia e a política, fazem parte do processo de produção do conhecimento. Enquanto isso, as naturais precisam estar isoladas da sociedade, para depois serem aplicadas no cotidiano das pessoas.
Ciências Humanas e Naturais
As ciências naturais, na etapa da pesquisa, diferem muito das humanas. A primeira procura reproduzir certas condições em laboratório e com ratos, para depois, com base nos resultados obtidos aplicarem os conhecimentos na sociedade. Alguns fenômenos biológicos não permitem a aplicação completa dos resultados obtidos na sociedade, pois não é ,de certa, forma um fato que se repete dentro do laboratório e fora dele em todos os casos, e acaba se tornando uma probabilidade. Apenas quando os cientistas analisam todas probabilidades possíveis do tal fato é possível aplicar os resultados na sociedade.
Enquanto isso, a segunda ciência, não pode ser pesquisada em laboratório, tanto que muitas pesquisas de probabilidade acabam errando o resultado. Como por exemplo o erro que ocorreu nas disputas eleitorais entre Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros. Além disso, na maioria das vezes não é possível prever leis de causa e conseqüência, já que a sociedade não é fixa, ou imutável. Outra grande diferença é que, enquanto nas ciências naturais a crença do cientista é completamente neutra (ou pelo menos deveria ser), nas ciências humanas a crença do cientista é vital, pois ele faz parte da ideologia envolvida em seu objeto de estudo, a sociedade.
Apesar de que os cientistas naturais estejam completamente alienados da sociedade enquanto realizam suas pesquisas, é relevante mostrar que muitas vezes seus estudos podem ser transformados em base de dados para pesquisas humanas e ideológicas, como ocorreu com a Teoria da Evolução das Espécies de Darwin, que pela ideologia, acabou se transformando em Darwinismo Social.
Verdade e Ideologia
O conceito de ideologia é bem amplo e varia muito entre os filósofos. Podemos considerar que ideologia é um sistema de conceitos baseados em ciências humanas e naturais interligados e aceito por uma parte da população da sociedade em determinada época.
Na constituição de uma ideologia, as ciências humanas são as principais negadoras ou “difundidora” de conceitos e interpretadoras de muitos conceitos criados pelas ciências naturais. Surge então uma questão: Por que acreditar em ideologias se estão diretamente relacionadas com interesses e visões de certa parcela da sociedade?
Assim como todo conhecimento que se produziu na história da humanidade, as ideologias não podem ser consideradas verdades absolutas. Mesmo as ciências naturais não podem, pois as verdades são mutáveis. Um exemplo é de quando Einstein descobriu que as leis de Newton não podiam ser aplicadas no Universo.
Por isso, uma ideologia só é considerada verdade quando a capacidade de entender o mundo dessa ideologia é vitoriosa sobre outra, logo depende fortemente da história para comprovar a verdade. Mas enquanto o tempo histórico não anda, como provar que uma ideologia é mais correta que a outra?
Teorias em ciências humanas devem ser baseadas em um conjunto de conceitos coerente, chamado de metodologia, e devem ser comparadas e até testadas em certa parcela da sociedade. E assim fica possível separar claramente ideologias, como a superioridade da raça ariana, de outras mais corretas. Contudo essa metodologia não exclui a possibilidade de coexistir duas teorias conflitantes.
Ideologia e Hegemonia
Como sabemos, as ideologias tem forte influência na sociedade e podem ser utilizadas para fortalecer ou acabar com a ordem vigente. Quando uma ideologia está desgastada pelo tempo, ou seja, já não é aplicável na sociedade da época, novas ideologias surgem. Os que estão no poder as utilizam para se fortalecer, enquanto os que querem subir na hierarquia social as utilizam para acabar com a ordem vigente.
O uso de ideologia varia de acordo com o sistema político de um país: em uma democracia, onde a força não pode existir, a ideologia tem um papel fundamental; na ditadura ela aparece junto com a força, porém em menor escala.
Ficha 5
A Geografia sempre foi utilizada para explicar fenômenos naturais e sempre trabalhou com a localização das coisas. Porém, para explicar fenômenos sociais atuais, a Geografia precisa sair do plano do descritivo, para entrar no explicativo.
O Espaço Geográfico
Antigamente se definia o espaço como absoluto, onde todas as coisas estão presentes atuando sobre ele. O espaço geográfico era tido como o palco de todas ações humanas, sendo que sua influência não afetava as ações humanas. Hoje em dia excluímos a idéia de espaço absoluto para a entrada do espaço relativo. O conceito de espaço geográfico atual é todas as coisas e suas relações. A cidade que antes estava no espaço, agora é o espaço. Com base nisso podemos afirmar que o homem constrói o próprio espaço geográfico, um espaço social, elemento da sociedade.
O Espaço Geográfico como Componente da Sociedade
As relações sociais dependem basicamente da distribuição do espaço geográfico e ao mesmo tempo afetam o espaço. Por isso a distância geográfica é um dos determinantes das relações sociais. Esta distância não só é a tradicional (possível de ser medida, metros, quilômetros), mas também a distância dos meios de comunicação. Um bom exemplo é de um homem de negócios que vive em um condomínio fechado próximo a uma favela. Apesar de haver essa proximidade da favela, o homem não tem relações sociais com as pessoas que lá vivem, mas tem relações com outros homens de negócios em outros países, graças aos meios de comunicação.
Para a nação, diminuir as distâncias dos meios de comunicação, pode ajudar a resolver as distâncias naturais. Melhorar os meios de comunicação aumenta as relações sociais das pessoas, o que pode melhorar os problemas econômicos sociais. Logo podemos perceber que a distância afeta diretamente o espaço.
Outro fator importante no espaço é o objeto geográfico. Este é qualquer coisa desde que o homem a tenha atribuído uma função. Uma estrada é um objeto geográfico, pois foi construído com a finalidade de ser uma via de transportes. Uma montanha, ou qualquer paisagem também pode ser um objeto geográfico, apesar de não ter sido construído pelo homem, ele pode dar uma finalidade, um valor a montanha ou a paisagem. Estes objetos têm grande importância no espaço geográfico, pois eles influenciam claramente nos interesses das pessoas, nas nações, logo nas relações entre elas. Para visualizar melhor essa influência é só pensar no exemplo do petróleo como objeto geográfico. As relações entre os países mudam muito quando descobrem petróleo em algum território.
Globalização e o papel do Estado no mundo moderno
Muitas vezes, quando pensamos em globalização, pensamos em relações internacionais pelo planeta inteiro, a multiplicação do mercado consumidor, dos meios de produção, ou seja do capitalismo. De certa forma, isso já vinha ocorrendo antes, desde as grandes navegações, portanto se a globalização for só isso, ela não é algo novo. Sua novidade é o modo que ela vem afetando o poder do Estado. Nos séculos anteriores o Estado sempre foi forte, comandava e organizava a economia. Hoje em dia, as transnacionais vêm tirando o poder dos Estados, ele não tem mais a mesma autonomia, pois uma transnacional está acima do Estado.
Ficha 6
Territórios e redes geográficas
Território nacional é o espaço geográfico de um país, ou seja, é todo espaço físico que ele tem, somado a todas as relações sociais, culturais, econômicas, políticas nesse espaço. O espaço físico ou as relações por si só não são o território nacional. Quando dizemos que alguma empresa ou família se “territorializa” significa que ela se inseriu no espaço geográfico do território nacional.
Já rede geográfica é uma forma seletiva do espaço geográfico, um uso reticular, de modo que todas as relações não se inserem no espaço delimitado. Um bom exemplo é o condomínio fechado. Podemos perceber que é uma forma seletiva do espaço geográfico. As pessoas que ali moram tem suas relações sociais delimitadas apenas com os que moram no condomínio. O mesmo se aplica a empresas e lojas em shoppings ou calçadões. As relações são selecionadas.
Podemos dizer que as transnacionais se inserem nos países nas redes geográficas, se “territorializando” o mínimo possível. Muitas vezes o Estado cria um espaço esterilizado (com isenção de impostos, preço mais barato do terreno) para a entrada de uma transnacional acreditando que essa empresa irá trazer desenvolvimento, tecnologia, empregos, etc... Porém isso não acontece, e o Estado acaba ficando dependente dessa transnacionais e perde poder para a esfera global.
Espaço Nacional e Espaço Globalizado
Ainda não é possível dizer que exista um espaço geográfico global. O que ocorre são implantes globais nos espaços nacionais. Nessas redes geográficas as normas do espaço nacional não são válidas, as que valem são as que atendem a globalização.
Como já dito antes, o Estado vem perdendo seu poder, isto ocorre pois o Estado moderno não consegue dar conta de regular os empreendimentos econômicos e ao mesmo tempo cuidar das condições da população (educação, saúde, saneamento, moradia, etc.), por isso os Estados acabam entrando em crise com economias desestabilizadas. Então, com a idéia ilusória de trazer desenvolvimento econômico ao país, entendido como estar inserido na globalização, os Estados abrem as portas e esterilizam territórios para as transnacionais. A partir desse momento o Estado perde parte de seu poder, já que a economia não é regulada exclusivamente por ele.
Horizontalidades e Verticalidades
As relações podem ser divididas das seguintes formas:
Plano Horizontal: Conjunto de relações desenvolvidas no território nacional.
Plano Vertical: Conjunto de relações que se desenvolvem nas redes mundiais e ao mesmo tempo com os espaços nacionais.
Hoje em dia os países têm relações tanto no plano horizontal quanto vertical. Podemos explicar o mesmo processo de perda de poder do Estado com base nesses dois tipos de relações: As verticalidades das redes da globalização absorvem recursos públicos nacionais para se manterem funcionando e acabam determinando o modelo de desenvolvimento dos países.
Há uma grande polêmica sobre as riquezas geradas pela globalização. Os a favor da globalização afirmam que a melhor opção para os Estados se desenvolverem economicamente e socialmente é abrirem suas portas para a economia global. Por outro lado os críticos da globalização afirmam que isso não passa de um discurso ideológico para ocultar a ausência de benefício às sociedades nacionais e permitirem um livre comércio sem fronteiras, global, pois na esfera global não tem governo, limitações.
Ficha 7
A Modernização Brasileira
Desde a globalização, as nações vêm se modernizando e se aumentando a escala geográfica de suas ações, tanto no interno como no externo. Os Estados Unidos por exemplo, tem suas ações tão aumentadas que a escala de suas ações é planetária. O Brasil também vem realizando esse processo. Pois mesmo sendo produto de relações externas, ou seja foi criado de fora pra dentro, suas relações internas tem extrema escala de ação. Por esse motivo, não podemos estudar nossa nação com a geografia tradicional que se baseia em “descritivismos”, pois afinal, as relações sociais estão totalmente relacionadas com o espaço geográfico e dependem de como ele as molda.
A expansão do mundo moderno
A modernidade já vem se expandindo, pois é esta sua natureza, a duzentos anos. Ela começou com o surgimento dos estados modernos que são a estrutura da modernidade na Europa, por isso podemos chamá-la também de europeização ou ocidentalização.
Principais mudanças no período da modernidade
Surgimento do Estado centralizado: o Estado centralizado é o estruturador da modernidade. Ele é responsável pelo domínio militar e jurídico, transporte, saúde, saneamento. Pode interferir na economia. Entre outras funções.
Aparição das Nações: A idéia de nação surgiu no Renascimento para reforçar a integração do indivíduo com o novo Estado.
Mudança Radical da Economia: A economia cresce, devido ao crescimento do mercado e da produção. Isso só se dá devido a inovação tecnológica, o motor da economia.
Tecnização do Espaço Produtivo: Dá-se em dois caminhos: como parte do sistema produtivo e aumentando o espaço fluido, ou seja as comunicações entre o espaço geográfico com os avanços tecnológicos de transporte e comunicação.
O mercado como centro da vida material: Tanto as nações quanto os indivíduos ficaram totalmente dependentes do mercado. As formas de auto-subsistências tendem a sumir.
A urbanização do modo de vida: As cidades vêm se mostrando o principal lugar de se viver na modernidade. Isto ocorre pois ela facilita e aumenta as relações sociais e também a subordinação das pessoas ao mercado.
Novas fontes de poder político: Antes, as fontes de poder político pertenciam ao Estado Monárquico ou Absoluto, agora o poder político depende do poder econômico.
O surgimento do individualismo: O indivíduo se torna o principal personagem da modernidade, direitos humanos e individuais para o bem dele são criados.
Internacionalização da vida moderna: Como as nações vem procurando aumentar a escala de suas ações externas, ocorre uma exportação para todos os cantos do mundo.
Globalização: Forma do avanço da modernidade, principalmente no âmbito econômico.
A modernização, além de ter ocorrido de forma conflitante e desigual, não se deu plenamente em lugar algum, ou seja, nem mesmo as potências têm suas modernizações completas. A modernização tem alguns elementos decisivos:
1. A modernização nunca substitui o modo de vida preexistente em uma parte do planeta, ela transforma-o.
2. A modernização não ocorre ao mesmo tempo nas nações, hoje em dia, com duzentos anos, alguns países já estão bem avançados e outros ainda estão no começo, como por exemplo Brasil e Inglaterra.
3. A modernização é desigual e ocorre em diferentes velocidades em cada nação.
4. Apesar da modernização ter ocorrido no planeta inteiro, ela é diferente em cada país, não se pode generalizá-la, cada país é cada país.
A modernização e o Brasil
A modernização no Brasil ocorre desde a segunda metade do século XX, porém ela se iniciou num país completamente diferente do atual. O Brasil naquela época era rural, escravista, não tinha uma democracia forte. Ou seja, o país não estava pronto para se modernizar, porém de forma bruta isto ocorreu. Em 50 anos ocorreu uma intensa industrialização, um êxodo rural para as cidades, criação de infra-estrutura para a modernização, etc...
A modernização desigual
O que ocorreu no Brasil é que a economia se modernizou muito, enquanto o social e o político modernizaram muito pouco. Mesmo assim a modernidade alcançou o político-social, mas para atender a modernização do econômico. Graças a isso há essa grande desigualdade social no Brasil e os escândalos políticos. Acredita-se também que houve certo impulso do Brasil após a segunda guerra, mas só para alguns, o que aumentou a desigualdade.
Não podemos afirma que só as elites construíram o Brasil, as classes mais pobres também ajudaram, apesar de que as elites não enxerguem as classes pobres. Como a modernização social e o política foi voltada à econômica, apenas aqueles que conseguiram atingir um padrão econômico são beneficiados pelo social e pela política brasileira.
Ficha 8
A Nova Ordem Mundial
Para haver uma ordem mundial é preciso de um espaço mundial unificado, que só foi possível depois das expansões marítimas européias no séc XV e XVI. É impossível de haver uma ordem mundial se o mundo inteiro não participar. A ordem mundial é uma situação de equilíbrio instável entre as nações. Ela permanece até uma forte mudança e depois se configura de outra forma. Vale a pena ressaltar que o sentido de ordem não é positivista (sem conflitos) e sim dialética (com muitos conflitos), não é à toa que essa ordem é instável.
Junto com essa idéia, surge também a noção de potência mundial. No plano teórico, os Estados tem poder equivalente no mundo, porém ao olharmos na nossa ordem mundial isso não ocorre. O Estado de cada país só é soberano em seu território, na ordem mundial seu poder varia e depende diretamente das relações diplomáticas (política, força bélica) e das cotidianas (comerciais, financeiras, culturais) com outros Estados.
Uma ordem mundial é definida pelo número de potenciais mundiais. Se tiver apenas uma potência hegemônica, a ordem é chamada de unipolar, se tiver duas, bipolar, várias, multipolar. Hoje ainda está em discussão se vivemos em um mundo cuja ordem é unipolar ou multipolar. Os que defendem a unipolaridade afirmam que as relações diplomáticas são os fatores decisivos para ser uma potência mundial. Por isso os Estados Unidos é a grande potência, já que, após a derrocada da União Soviética, é o Estado com maior poderio bélico. Os que defendem a multipolaridade afirmam que as relações cotidianas são os fatores que definem se um Estado é ou não uma potência mundial. Eles acreditam que a maioria da Europa e os Estados Unidos são as grandes potências por terem um forte poder econômico.
As crises mundiais, como por exemplo a Guerra do Golfo, conflitos no Kosovo, a luta contra o terrorismo e a ocupação do Iraque, são usadas como argumento para ambos os lados. Para os que acreditam na unipolaridade, esses conflitos são evidências de que o Estados Unidos não tem concorrentes, no caso da ocupação do Iraque, nem mesmo a ONU foi capaz de pará-los. Já os que defendem a multipolaridade afirmam que nesses conflitos os Estados Unidos não atuou sozinho, ele buscou ajuda da Europa, China, Rússia e até da ONU.
Independente de ser unipolar ou multipolar, a nova ordem mundial tem papel importante no planeta. Seja com a Terceira Revolução Industrial, ou seja a revolução técnico-científica, uma globalização capitalista e o surgimento de blocos regionais (não sei se está correto, mas um exemplo pode ser a União Européia, ou até a nova união feita pelo nosso presidente na América do Sul). Esses três fatores têm extrema relação com o que vem ocorrendo hoje em dia. O novo mercado de trabalho, com mão de obra em menor número, porém com maior qualidade e também o crescimento da importância das telecomunicações são resultado da Terceira Revolução Industrial.
Ficha 9
Ensaio Sobre A Nova Ordem Mundial
Diferentemente do outro texto, que mostra os dois lados da nova ordem mundial, esse defende que ela é unipolar.
Estamos vivendo em uma época em que o Estado e assim como alguns órgãos internacionais como a ONU sofrem uma crise de poder. Isso ocorre graças à nova ordem mundial unipolar.
Acompanhada da globalização, a nova ordem mundial é caracterizada pela soberania política, econômica, militar, tecnológica e cultural. Os Estados Unidos, a atual potência mundial tem o poder soberano e com isso faz com que os outros Estados, em decadência, apenas sejam reduzidos em todos os âmbitos.
Voltando no tempo, o mundo já enfrentou fases de multipolaridade, e bipolaridade. A época multipolar pode ser considerada antecedente à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, quando vários países dividiam a soberania econômica, política, cultural e militar do mundo. Logo depois dessa época surgiu o mundo bipolar, em que os Estados Unidos dividiam a soberania com a União Soviética. Com a queda do muro de Berlim em 1989 e a derrocada do “socialismo real” em 1991 o Estados Unidos assumiu a soberania do mundo sozinho, tornando a nova ordem mundial unipolar.
A grande potência mundial pode interferir de acordo com seus interesses em qualquer negócio, projeto, economia de outra nação. Qualquer nação que vá contra seus interesses é hostilizada.
O enfraquecimento dos Estados e da ONU se deve ao fato de que estes órgãos perderam sua soberania e assim seu poder político. Um Estado sem soberania é um simples território e a ONU é praticamente nada.
Como já dito antes, o fim da soberania dos Estados é o fim da política. Com o fim da política em cada nação acaba ocorrendo que o único país com política forte, os Estados Unidos, acabe sendo soberano. Com isso, a política fica sendo reduzida ao que vemos no Brasil, à mentira, promessas não cumpridas, governos corruptos. A política passa a ser apenas ilustrativa, e o pior, engana o povo, pois fica impedido de ver o real autoritarismo. Isto sem contar como facilmente o povo é manipulado, pois os meios de comunicação são controlados pelos donos dos meios de comunicação. Um exemplo é o Brasil, onde seus meios de comunicação reproduzem exatamente o que foi produzido lá fora, sem criar nada de novo, apenas copiando. Isto ocorre com idéias, hábitos, política, cultura em geral.
O fundamento dessa nova ordem mundial é a liberdade. Quantas vezes não ouvimos dizer que os Estados Unidos é o país da liberdade? E de fato sabemos que isso não é verdade. Vivemos em uma época em que ainda há desemprego, violência, medo do futuro.
O mundo é monopolizado pelo Estado-único, enquanto isso os outros Estados cedem seu poder a corporações transnacionais como o FMI, o BID, o Banco Mundial, o BIRD, etc...
Com base em tudo isso, pode-se concluir que na nova ordem mundial reina o mercado único. Além disso estabelece também um exército único (a OTAN?). Este é responsável por atender os interesses da potência mundial. O que percebemos ao observarmos as ações desse exército é que ele interfere em qualquer conflito independente da autorização da ONU. Um dos seus objetivos é intervir em movimentos separatistas, como por exemplo o conflito do Kosovo. Com Estados divididos e mais fracos, o Estado-único fica ainda mais forte. Muitas vezes os conflitos não são nem históricos ou étnicos e sim criados pela próprio OTAN.
A Pax Americana
A pax americana é uma analogia a pax romana que teve no Império Romano. Os romanos controlavam toda as tribos e cidades com a força bélica, impunha seus interesses e sua cultura. É o mesmo que ocorre atualmente, porém os Estados Unidos são os romanos e os resto do mundo é o resto do território romano. Mais da metade dos países do mundo é vítima ou está ameaçado por sanções econômicas decretadas pela potência. Já os países que foram contra os Estados Unidos, como Cuba, Coréia do Norte, Iugoslávia, Iraque, etc...foram atacados ou isolados do mundo. Os países que sofrem com isso não tem nada a fazer, pois se recorrerem a ONU nada irá acontecer, já que ela foi “esvaziada”, e mesmo se ela tentar fazer algo os Estados Unidos não irá obedecer, como fez quando invadiu o Iraque ou quando bombardeou a Iugoslávia.
Vale a pena ressaltar que o poder dos Estados Unidos é universal, ninguém pode impedi-lo e todos seus interesses ultrapassam os limites territoriais do país, ou seja, seus limites geográficos são os limites do mundo.
A Globalização da Nova Ordem Mundial
Como já dito antes, a nova ordem mundial e a globalização estão interligadas. Como já estudado, a globalização é a mundialização do capital, ou seja, a expansão do capitalismo financeiro em cima do capitalismo de produção. Com isso gera um mercado livre e único, que leva consigo aspectos além de econômicos, como culturais, militares, ideológicos, etc...
Ela homogeneíza a cultura, o american way of life, homogeneíza o exército, a OTAN, homogeneíza o povo, homogeneíza a ideologia, com a idéia do bem e do mal. Enquanto os Estados Unidos é o bem, os países que vão contra são o mal e para justificar seus atos acusa-os de terrorismo, criadores de armas nucleares ou socialistas.
Os Estados Unidos e a Globalização: um caso de sucesso econômico
Com certeza o país que mais se beneficiou com a globalização, como mostrado em todo texto, foi os Estados Unidos. Enquanto a maioria dos países passava por crises, os Estados Unidos crescia. O que para a hegemonia dos americanos é melhor ainda pois acentua sua soberania. Além disso, podemos concluir que a riqueza dos Estados Unidos é uma das causas da pobreza do mundo.
O resumo do texto 9 ficou meia boca, e parei só até o penúltimo tópico, pois me falaram que os dois últimos não iam cair.
Postado por
PROFESSOR MARIO
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18:54
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
Textos para 1a. série / Ensino Médio - 2o. bimestre
Textos para 1a. série / Ensino Médio - 2o. bimestre
1. A mudança das distâncias geográficas e os processos migratórios
Geografia – 1ª. Série – EM
Em Geografia, pode-se afirmar que a globalização diz respeito à construção de novos espaços e novas relações sociais desenvolvidas no mundo. Trata-se de uma nova configuração geográfica que se superpõe aos territórios nacionais, por vezes conflituosamente, outras em harmonia. Isso pode significar mudanças importantes nos próprios Estados nacionais com a presença, em seus territórios, de pontos de rede de corporações transnacionais e de redes técnicas, propiciando um aumento extraordinário da circulação de capital, de bens industrializados, de serviços e informações produzidos na escala mundial.
Essa agilidade da circulação se dá porque os espaços globais são suportes ativos dos processos socio
econômicos que ocorrem na escala mundial. Esses negócios são alimenta¬dos pelo que há de mais avançado em tecnologias de produção e de circulação. Assim, es¬ses espaços da globalização se realizam como expressões geográficas da nova ordem mun¬dial. Vamos desvendar a lógica desses espaços que, fundamentalmente, se estruturam em forma de redes; conhecer os ritmos de suas relações, cada vez mais aceleradas e; identificar os principais agentes que os alimentam, como as corporações transnacionais.
Vamos começar com a formação populacional brasileira, mais especificamente, a contribuição dos processos migratórios estrangeiros. Que grupos vieram e para onde foram no território brasileiro? Quando? Qual a distância que esses imigrantes percorreram e as condições em que viajaram? Quanto tempo as viagens duraram? Vamos trabalhar com um caso expressivo, em razão da grande distância geográfica envolvida: a migração japonesa para o Brasil.
O Brasil é o país que tem a maior comunidade japonesa no exterior (exterior porque estão fora do Japão). São 1.500.000 pessoas entre japoneses e seus descendentes. Isso é resultado de uma onda imigratória proporcionada pelo Trata¬do de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, assinado em 05/11/1895. De 1908 a 1941, migraram para o Brasil 188.986 japone¬ses. Esse fluxo foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial e retomado nos anos 1950, quando vieram mais 53.555 imigrantes.
Eram 52 dias de desgastante viagem de navio. Se um imigrante não gostasse do que encontrou, dificilmente poderia "bater em retirada" e retornar à sua terra natal. Retornar apenas para visitar o Japão, durante muito tempo, não foi algo possível para muitos. Era muito caro percorrer uma distância geográfica tão grande.
A distância é 18.550 km; significa 55 dias de navio. Hoje, corresponde a 24 horas de vôo de avião. Em termos gerais, para as populações atuais desses dois países, essa mesma distância é ou¬tra, tem outro significado em suas vidas.
O que aconteceu para mudar radicalmente o sentido desses 18.550 km? Uma aceleração no percorrer da distância geográfica. Uma aceleração dada pelo desenvolvimento e pelo acesso a novos meios tecnológicos que fizeram o espaço geográfico ser outra coisa; uma ace¬leração que altera as relações entre essas duas sociedades (Brasil ↔ Japão).
A situação se inverteu: agora são 225.000 brasileiros que estão trabalhando no Japão. Estão impossibilitados de voltar se não gos¬tarem? Podem visitar os parentes que ficam no Brasil com regularidade? Esses parentes podem ir até eles? Eles são imigrantes, como os japoneses do início do século XX, que esta¬vam trocando definitivamente de vida?
A visão anterior sobre a migração estrangeira era marcada pela visão de atitude definitiva. A quebra da rigidez da migração, hoje, transformou em algo mais temporário, transitório, e isso se deu em função da no¬vas condições de mobilidade do ser humano, um produto da aceleração dos fluxos.
Observe o mapa “As migrações, final do século XX” na página 5 do caderno do aluno. Vamos aproveitar o mapa para exercitar a linguagem cartográfica, chamando a atenção para algumas características dele:
a) a projeção cartográfica: os mapas são planos e a superfície terrestre é curva. Não há meios de se colocar no pla¬no as dimensões - formas, extensão e distância – da superfície terrestre (por exemplo, dos blocos continentais). Por isso, todos os mapas possuem deformações. É importante saber quais são essas deformações. A transposição do espaço curvo para o plano se faz com as chama¬das projeções cartográficas. Por exemplo: nesse mapa, a projeção cartográfica é a de Bertin. Com ela, o autor conseguiu manter a extensão e as formas das terras emersas (fora da água). É uma projeção boa para mostrar que, as relações humanas e seus bens (os fluxos) estão muito intensas;
b) o mapa para ver: onde estão os maiores fluxos de imigrantes, mas isso num bater de olhos? Essa identificação é simples e óbvia. Não haverá necessidade de se con¬sultar a legenda. A comunicação desse mapa é feita por sua imagem em conjunto: é um mapa para ver. As setas indicam direções e esse símbolo é universal. A largura das se¬tas comunica visualmente a maior ou me¬nor quantidade do fluxo. Mas, além das setas, o mapa traz outra informação visual. Os países estão coloridos de cinza ou de tons de rosa (mais fracos e mais fortes). Essas tonalidades de cor significam menor ou maior presença de imigrantes na formação da população dos países. Elas criam uma ordem entre os países nesse aspecto. Por exemplo, na atual formação da população brasileira, há menos imigrantes, proporcionalmente, do que na formação populacional dos EUA;
c) a representação dinâmica e ordenada: por intermédio de linhas (setas), esse tipo de representação mostra o movimento dos fluxos no espaço terrestre de imigrantes no final do século XX. Por mostrar esse movimento, ela é chamada de representação dinâmica, adequada para representar fluxos. E por intermédio do tom de cinza e dos tons de rosa cria-se uma ordem entre países que têm mais e que têm menos imigrantes na composição das suas respectivas populações, por isso, essa dimensão do mapa é chamada de representação ordenada;
d) a variável visual tamanho e variável visual valor: o mapa repre¬senta dois fenômenos:
1) o fluxo migra¬tório e sua dinâmica espacial. Porém, es¬ses fluxos são de diferentes quantidades. Como expressar isso visualmente? Por meio da largura (tamanho) das setas. Essa é a variável visual tamanho, essencial na cartografia para representar a proporcio¬nalidade entre as coisas. Por isso, quando se vê um mapa bem feito, essa proporcio¬nalidade se imprime imediatamente em nossos olhos;
2) a participação na composição da população dos imigrantes segundo classes, fenômeno representado por meio da variável visual valor, onde tonalidades da cor do mais escuro para o mais claro expressam valor da cor. Essa relação é direta para nosso olhar.
Interpretando o mapa, as localidades no planeta que estão recebendo os maiores fluxos migratórios no momento são EUA (bem a frente de todos), Europa Ocidental e Golfo Pérsico. Os principais fluxos, como os do México e da América Central para os EUA, possuem direção sul para norte. Há fluxos também do Sudeste Asiático para os EUA, da África para a Europa e assim por diante. Essa evidência indica fluxos do sul para o norte, que na verdade expressam fluxos dos países pobres para os países ricos. A maior mobilidade dada pelas novas condições espaciais gera outros fluxos inusitados, alguns temporários, como da Índia para Dubai (grande cidade na entrada do Golfo Pérsico). Algumas das áreas que atualmente recebem os maiores de imigrantes, como a América do Norte e a Europa, já têm uma participação expressiva de imigrantes no conjunto de sua população. Algumas outras, como a Austrália, que também estão nessa condição, já não recebem mais fluxos vigorosos de imigrantes. Embora tenhamos ouvido a história de que o Brasil é um país formado por imigrantes, considerando a segunda metade do século XX, deixamos de estar envolvidos de modo importante no conjunto das correntes migratórias internacionais. Isso se revela pela baixa participação dos imigrantes no conjunto da população e pelo volume atual dos fluxos que envolvem nosso território.
Veja os grandes sistemas (movimentos) migratórios contemporâneos, que devem-se à pobreza, a fenô¬menos de proximidade geográfica e a liga¬ções históricas:
- Os sistemas sul para o norte, que drenam a maioria dos imigrantes (normalmente em busca de melhores condições econômicas);
- Refugiados do Norte da África para a França, em função das ações do Magreb (grupo ligado à rede terrorista islâmica liderada pelo saudita Osama bin Laden, na região de Cabília - cidade 70 km a leste de Argel, a capital da Argélia, na África);
- Antigo império das Índias para a Inglaterra;
- Turquia para Alemanha.
- Europa do Leste envia imigrantes, mas também os recebe;
- Índia - Paquistão para países petroleiros do Oriente Médio;
- América do Sul e Central para os EUA.
O mapa de fluxos migratórios nos dá uma visão atual do volume e das direções das correntes migratórias internacionais, assim como a participação dos imigrantes na composição geral das populações dos países.Mas não é possível, por meio dele, concluir sobre a aceleração dos fluxos em relação aos movimentos migra¬tórios ao longo do século XX. Houve expressivo au¬mento do fluxo migratório dos anos 1960 para nossos dias em certas regiões do mundo: EUA, Europa Ocidental etc. em escala planetária entre os Esta¬dos modernos. As direções geográficas desses fluxos, a mudança dessas direções, o volume quantitativo desses movimentos e alteração contemporânea desses volumes implicam numa aceleração dos fluxos e em formas mais acessíveis de administração das distâncias ge¬ográficas (fase descritiva do processo).
Observe o gráfico “Evolução dos efeitos de migrantes, 1910-2000” na página 8 do caderno do aluno. Ele nos mostra apenas uma evolução, no tempo, dos países recebendo imigrantes, mas não nos dá os fluxos, a dinâmica espacial direta e integralmente. O gráfico mostra que houve expressivo aumento do fluxo migratório dos anos 1960 para nossos dias em certas regiões do mundo: EUA, Europa Ocidental, etc. Essas representações visuais de qualidade formam imagens sobre os fluxos migratórios em escala planetária entre os Estados modernos: as direções geográficas desses fluxos; a mudança dessas direções; o volume quantitativo desses movimentos; e alteração contemporânea desses volumes, o que implica numa aceleração dos fluxos e em formas mais acessíveis de administração das distâncias geográficas (fase descritiva do processo).
Problematizacão dos fluxos migratórios internacionais: aceleração e fechamento de fronteiras
É muito comum atualmente falar de ace¬leração da história. Os eventos humanos se precipitam mais velozmente e as transforma¬ções históricas são mais rápidas. Desde que o ser humano se sedentarizou no neolítico, ele nunca se moveu tanto como agora. E esse aumento de mobilidade geográfica está asso¬ciado à aceleração da história. O aumento da mobilidade geográfica de bens, de mercado¬rias e pessoas é a globalização das relações humanas, cujo potencial transformador já demonstrou seu poder, embora muito ainda esteja por acontecer.
Nesse novo cenário, um famoso historia¬dor costuma afirmar: o documento mais im-portante nesse mundo globalizado não é a carteira de identidade e sim o passaporte. E isso nos dirige para a reflexão sobre os fluxos migratórios internacionais contemporâneos. Veja as características das migrações internacionais contemporâneas na página 10 do caderno do aluno.
Duas condições para que as imigrações se acelerem:
1. é mais fácil viajar, pois os meios são mais efi¬cientes e os custos mais baratos e;
2. pode-se fazer experiências temporárias.
Porém, há restrições político-sociais ao processo mi¬gratório. Por isso, o que menos circula no "mundo globalizado" são as pessoas. Mes¬mo assim, as migrações cresceram bastante em comparação com o passado:
a) No início do século XXI, o fechamento das fronteiras fez aumentar o número de clandestinos, o que é difícil de estimar. Por exemplo: seriam uns sete milhões nos EUA;
b) Para os países de origem, as consequên¬cias são por vezes negativas, como por exemplo, no caso da fuga de cérebros (pessoas com grande potencial – por exemplo, sua inteligência – e que acabam usando isso em outro lugar, não no seu país de origem);
c) As consequências são positivas para gru¬pos que permanecem, em razão da remes¬sa de recursos: em 2005 foram 225 bilhões de dólares, o que representa mais que a ajuda oficial direta para o desenvolvimen¬to de alguns países. Por vezes, um imigrante sustenta, em média, dez pessoas.
2. A globalização e as redes geográficas
Quando se fala em globalização, é possí¬vel se entender várias coisas, mas há uma que todos entendem: existe uma presença muito maior do mundo em cada localidade. Isso se expressa pela enorme presença de produtos de diversas partes do mundo e também pelo número elevado de informações sobre o mundo. Parte expressiva do que ocorre, do que se faz, do que se pensa em outras localidades pertence agora a nossa realidade.
Há uma nova organização do espaço geográfico que permite que o mundo esteja aqui e que estejamos no mundo e que a ele pertençamos. Essa nova organização permite que os fluxos se acelerem. E essa nova ordem geográfica é uma ordem de redes geográficas. Palavras-chave na Geografia, como espaço e território, hoje, devem ser acompanhadas por mais uma da mesma importância, a rede geográfica, que é a forma principal dos espa¬ços da globalização.
Os territórios nacionais possuem frontei¬ras, distâncias geográficas, culturais, políticas e econômicas diversas, mas o contato entre suas populações é cada vez mais intenso e isso se dá por meio de um "concorrente" do território: a rede geográfica. A rede geográfica tem o poder de ultrapassar as fronteiras nacionais. Existiria exemplo mais acabado dessa nova realidade do que a rede técnica mundial da in¬ternet?
Veja os mapas “Internautas, 1991-2006” e “Mundo: posse de computadores pessoais no mundo, 2002”, nas páginas 13 e 14, respectivamente. São mapas quantitativos que fazem uso da variável visual tamanho, mapas para ver, pois devido à força expressiva da imagem, qualquer pessoa que os veja, vai perceber que o fenômeno representado é mais relevante nos EUA mesmo sem sa¬ber de que fenômeno se trata. “Internautas” é um mapa ordenado que faz uso da variável visual valor (tonalidades de uma única cor, no caso o marrom). As tonalidades mais escuras expressam um número maior de internautas (usuário individual) em grupos de 100 habitantes (o valor mais elevado é de 87,7 por 100) e as mais claras, o contrário. O mapa é acompanhado por um gráfico evolutivo e quantitativo que, por sua vez, faz uso da variável visual tamanho e mostra o crescimento do número de internautas no período de 1991-2006, indicando também o número de vezes que o volume de internautas foi multiplicado. O mapa “Mundo” tem uma força comunicativa poderosa e ao mesmo tempo revela de forma aguda certos fenômenos geográficos.
Ao examinar essa representação, é interessante ter ao lado um mapa mundi convencional. Para definir o tamanho dos continentes, utilizou-se uma métrica numérica, uma medida que não é a convencional com base em km2. Não foi uma métrica territorial. Essa anamorfose sobre a posse de computadores pes¬soais poderia não comunicar grande coisa se não tivéssemos todos, uma familiaridade muito grande com as formas convencionais do mapa mundi. Mas como a temos, logo percebemos a força comunicativa das defor¬mações.
A linguagem das representações cartográficas foi uma preparação para a exploração cognitiva delas em conjunto. Afinal, elas, cada qual à sua maneira vão dar uma idéia dessa inovação revolucionária na vida humana e na estruturação dos espaços geográficos graças à rede técnica mundial da internet.
Redes geográficas: o espaço de ação das corporações transnacionais
Vamos esclarecer um dos enigmas da globalização e do mundo contemporâneo: a diferença entre termos que parecem ter o mesmo significado. Entre empresa e corporação a diferença é: uma corporação é um grupo que reúne várias empresas de diversos ramos e que concentra muito capital e interesses sob um único controle. Há cor¬porações que têm empresas que atuam no ramo do petróleo, no industrial, no agronegócio, no sistema financeiro e na produção de filmes para cinema e televisão, por exemplo. Isso só explica que, quan¬do os lucros crescem, os grupos econômicos vão diversificando seus negócios e suas localizações, a fim de garantir maiores lucros. A empresa é individual, só atua em um ramo.
Mas o que significa essa diferença entre uma multi nacional e uma trans nacional? Observe o esquema simples da página 18 no caderno do aluno. Observem especialmente a presença e o papel das corporações trans¬nacionais no esquema. Que espaços, de fato, são aqueles em que as corporações baseiam suas atividades? Serão os espaços nacionais (territórios nacionais) convencionais? As corporações econômicas mais poderosas transcendem os espaços nacionais e criam um espaço global com base numa malha de redes técnicas e geográficas.
Um autor importante pode ser citado nes¬se momento. Trata-se do geógrafo brasileiro Milton Santos:
"O interesse das grandes empresas é economizar tempo, aumentando a velocidade da circulação [...] Corporatização do território é a destinação prioritária de recursos para atender as necessida¬des geográficas das grandes empresas."
SANTOS. Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo - razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2008. p. 270.
Os fluxos de mercadorias, de serviços, de informações circulando rapidamente pe¬las redes técnicas (transportes e teleco¬municações) no mundo todo permitem o acesso a vastos mercados (e muito mais). As corporações que têm acesso, controle e investimento nessas redes técnicas obtém desse fato uma grande dose de poder econômico.
O prefixo multi significa muitos. Assim, multinacional é uma empresa que opera em vários países, constituída por grandes aglomerados industriais e financeiros. E transnacional? Transcender significa ultrapassar, ser superior. Assim, transnacional é uma empresa que ultrapassa os limites do país em que tem sua sede: está sediada num país e opera a produção ou parte dela em outros. Os dois conceitos se completam: grandes empresas que estão sediadas nos países desenvolvidos e operam ou controlam a produção nos países subdesenvolvidos. O termo global (globalização) refere-se a um processo em andamento, pois na verda¬de há muitas áreas ainda fora desse processo (as regiões em branco, os clarões), que sofrem uma “marginalização” em relação à globalização. Essas áreas "fora do eixo" da globalização foram designados como os deserdados da ordem mundial, áreas onde justamente registram-se eventos trágicos, guerras civis e conflitos regionais, tema estudado anteriormente.
Um exemplo de funcionamento de uma rede geográfica em outro cenário, muito útil para compreender o funcionamento das redes na escala mundial, é a cidade de São Paulo. Essa me¬trópole sofre desde os anos 1980 uma profunda reestruturação no seu espaço geográfico: seu território está "invadido" por redes geográficas que se estruturam do seguinte modo:
• Pontos: habitações em condomínio fechado ↔ centros administrativos isolados também em formato de condomínio fechado ↔ centros comerciais (shopping centers, hipermercados) fechados e protegidos ↔ outras instalações do tipo (hotéis, resorts urbanos).
• Linhas: vias expressas, avenidas, cuja circu¬lação é predominantemente automobilística.
Os usuários dessas redes geográficas pro¬curam concentrar o fundamental de suas vi-das em seu interior: residência, abastecimento, trabalho, estudos, lazer etc. E se possível, rara¬mente saem da rede, evitando assim o território pleno da cidade. Pesquisas mostram o número impressionante¬mente alto de habitantes da cidade que jamais foram ao seu centro histórico, jamais usaram transporte coletivo e jamais andaram a pé.
Há um custo financeiro para viver nessa rede protegida e ele não é baixo, o que resulta numa "seleção social” e diminui as trocas e as relações entre a população da cidade, em vista dessa separação (segregação?) sofisticada, na sua geografia. As trocas, as relações sociais desses usuários e construto¬res de redes se dão quase que somente entre eles. E o que isso tem a ver com as redes geográficas de escala mundial, construídas e alimentadas pelas corporações transnacionais?
Mais de 50% da circulação de capitais, de bens de produção, de serviços, de tecnologia que as corporações transnacionais põem em movimento ocorrem internamente às suas pró¬prias redes. Outro ângulo dessa lógica: 30% das exportações mundiais são trocas no interior das redes das corporações. É uma movimentação econômica que não se irradia para os territó¬rios dos países onde elas não instaladas.
Essa radiografia geográfica da estruturação transnacional das corporações revela:
1. a im¬portância das redes geográficas na globalização que se constrói;
2. um pouco das estratégias e do poder dessas grandes empresas.
Muitos da¬dos econômicos podem ser alinhavados para dimensionar mais amplamente a ação das corporações, mas eles poderão ganhar mais signi¬ficado se sua lógica espacial for considerada.
3. Os grandes fluxos do comércio mundial e a construção de uma malha global
O comércio é por definição uma forma de relação humana que implica colocar em contato grupos sociais diferentes. Na origem da história humana para um grupo A interessava obter de outros grupos aquilo que não se con¬seguia produzir, aquilo que somente outros grupos possuíam. Esse gênero de relação exigia estender relações sobre espaços mais amplos, obrigava a abrir caminhos, rotas e construir portos, estimulava a criação de novos meios de transporte e impunha a criação de estruturas para os comerciantes. Como se vê, o comércio é uma atividade humana produtora de novos es¬paços humanos e uma atividade que ensinou o ser humano a lidar com a distância geográfica.
No mundo contemporâneo tudo isso in¬tensificou extraordinariamente. Com os no¬vos meios disponíveis, as atividades comer¬ciais aumentaram o poder de uma das forças propulsoras da "fabricação" de novos espa¬ços e do aperfeiçoamento dos meios de supe-ração da distância entre as realidades geográ¬ficas.
Vamos pensar nas marcas de produtos comerciais que frequentam nosso dia-a-dia. Qual a origem nacional da marca? Numa série de produtos (roupas, calçados e eletrônicos, por exemplo) onde é a localidade da fabrica¬ção? São duas coisas diferentes: um produto pode ter uma marca de origem americana e ser produzido na China. Uma marca pode ser francesa e seu produto pode ser, ao menos em parte, produzido no Brasil.
Isso revela a complexidade das relações atuais, num mundo globaliza¬do, embora uma relação comercial, ao pé da letra, resuma-se à saída do local de pro¬dução (ou ponto de venda) até o ponto do consumo.
Os fluxos de produtos que chegam até nós vêm do mundo, de um sistema produtivo e comercial que se organiza na escala mundial, não somente dos nossos vizinhos, do mundo ocidental ou do extremo oriente.
O comércio como acelerador dos fluxos; aceleração dos fluxos intensificando o comércio
O mundo contemporâneo é complexo. Isso não quer dizer complicado, como é comum se pensar. Complexo significa que cada realidade isolada é sempre produto do conjunto da realidade total, ou das diversas realidades em relação. Durante os últimos 50 anos as exportações mundiais aumentaram em volume, nove vezes mais rápido que a produção mundial. Produz-se mais, mas se comercializa entre países muito mais ainda. Quer dizer que boa parte da produção antigamente circulava mais no interior dos pró¬prios países onde eram produzidas; hoje a produção circula muito mais numa escala geográfica mais ampla: circula o mundo.
O comércio não cresceu por si só, porque tem mais gente com¬prando bens. O comércio cresceu porque uma série de eventos e transformações cruzadas nes¬se nosso mundo propiciaram essa condição (e que já estudamos): a aceleração dos fluxos, as redes técnicas, a força das transnacionais e suas redes geográficas, a geopolítica, a ordem mundial e a ação das potências, que permitiram nesses últimos 50 anos que os mercados nacionais nada mais fossem que "seções" de um único e imenso mercado mundial. Outros exemplos de eventos que propiciaram o crescimento do comércio: desenvolvimentos tecnológicos, a multiplicação dos meios de compra e informação sobre os produtos, o afrouxamento das fronteiras dos Estados nacionais territoriais etc.
A imagem dos fluxos comerciais no mundo contemporâneo é forte. Nunca o planeta pareceu tão pequeno, tal a dimensão dos fluxos e as distâncias que eles percorrem. Longos trajetos, outrora feitos apenas por aventureiros, atualmente são as principais rotas comerciais do mundo. Rotas oceânicas percorridas por navios que ancoram em portos, abarrotados e congestionados de mercadorias, e rotas aéreas que chegam em pontos antes inalcançáveis resultam da busca desenfreada por novos mercados, por novos consumidores.
O comércio, obviamente, não ocorre somente na escala mundial, isto é, na relação entre continentes e países diferentes. Os fluxos ocorrem internamente dentro de uma região, numa escala inferior: produção no país/continente e consumo no país/continente.
O grande desafio da cartografia contemporânea não é localizar com precisão fenômenos geográficos, pois isso já está pronto e atualizado pelas imagens de satélite; o grande desafio está em conseguir expressar visualmente as relações espaciais que se desenvolvem num mundo cada vez mais complexo, ou seja, a utilização da linguagem. Para se produzir um mapa, antes de tudo, é preciso ter acesso às informações, à base de dados que será objeto da representação. Na cartografia temática contemporânea, há uma tendência em se preferir as projeções do tipo da de Buckminster Fuller ou a de Bertin para a representação de fluxos comerciais (lembre-se do mapa do tema 5, dos fluxos migratórios). Elas aproximam os blocos continentais, eliminam as imensas distâncias oceânicas e dão uma idéia mais expressiva e real do que são os fluxos no mundo contemporâneo. Projeções como a de Peters ou a de Mercator têm uma proeminência muito grande dos oceanos e expressam visualmente distâncias longuíssimas entre o extremo da Ásia e as Américas, por exemplo. A seta é compreendida, universalmente, como símbolo gráfico adequado para representara direção dos fluxos, pois permite expressar quantidade com a manipulação de seu tamanho (largura). Setas largas estarão representando fluxos de maior quantidade; mais estreitas, o contrário. Definir símbolos de comunicação não dá margem a diferentes interpretações. O que se vê tem sempre que ter sempre um único significado. Os blocos continentais no fundo do mapa devem ter uma única cor para todos. Uma cor leve e neutra para não ofuscar as setas. Define-se uma única cor para as setas e elas não podem se sobrepor umas às outras. Se fossemos montar um mapa com o tema “Comércio mundial de mercadorias”, constariam dados do comércio que poderiam ser representados cartograficamente em quadrados ou círculos (quanto maior, significa maior o volume negociado) ou por setas, e os números poderiamos colocar em uma legenda (resultando em uma representação quantitativa, pois apresenta números).
Hoje, os fluxos mais importantes no comércio mundial de mercadorias estão entre a Ásia e a América do Norte, entre a Ásia e a Europa Ocidental e entre a América do Norte e a Europa Ocidental. O fluxo da Ásia para a América do Norte é maior, mesmo com a imensa distância oceânica (que foi superada por conta da globalização, que encurtou as distâncias, realidade no mundo contemporâneo). O fluxo gira em torno da América do Norte, Europa e Ásia, mas os maiores fluxos ocorrem entre os países desenvolvidos para os subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias). Já os menores fluxos estão entre os próprios países subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias).
A Ásia aumentou significamente suas exportações, principalmente para os EUA e Europa e se consolidou como um grande pólo exportador. Muitas transnacionais, que normalmente tem sede nos EUA e Europa, começaram a produzir nos países deste continente (China, por exemplo), para baratear a produção. E a mão-de-obra é farta e barata, aumentando a produção em grande escala e negociação de seus produtos por preços mais baixos. Os EUA são o maior comprador nesse tipo de relação e isso é uma participação fundamental, pois esse país é um grande mercado. Seu papel, como exportador, é um pouco menor, o que contraria uma visão de país forte (aquele que mais vende e que menos compra). Mas essa visão não corresponde ao modo como a economia global se organiza atualmente. Nesse modelo, importação e exportação não têm o mesmo peso de épocas anteriores. Por isso, os EUA não perderam sua importância no comércio internacional. O peso do comércio em escala regional (no mesmo continente, país ou região) ainda é grande, mas o comércio entre os continentes, ou seja, escala global (inter-região) está crescendo cada vez mais.
4. Regulamentar os fluxos econômicos na escala mundial: é possível encontrar um bem comum?
A mobilidade humana ampliou-se, não há dúvidas. Na escala mundial as relações da globalização articulam uma malha de redes geográficas, alimentadas por redes técnicas, que se constituem numa nova configuração geográfica, acelerando impressionantemente os fluxos de bens econômicos e de pessoas. É certo que os bens econômicos (mercadorias, capitais, serviços, informações) circulam com muito mais desenvoltura nessa dimensão glo¬bal do que os seres humanos. Mas também há constrangimentos na circulação dos fluxos econômicos. Aliás, mais que constrangimentos: há conflitos.
Vale relembrar uma razão: a ordem mun¬dial existente se estrutura no interior da relação entre os países. No entanto, essas relações são desiguais:
1. alguns países são potências que atuam agressivamente;
2. agora há tam¬bém corporações privadas bem mais pode¬rosas que muitos países;
3. de modo geral, os fortes e os fracos nessa ordem só têm uma referência ao relacionar-se, que são seus pró¬prios interesses. E sem dúvida isso vai signi¬ficar problemas para a livre circulação dos bens econômicos; aliás, essa livre circulação dos bens econômicos vai significar proble¬mas para cada país.
A regulamentação dos fluxos econômicos mundiais é objeto de muitos debates, pois há muitas críticas sobre a globalização que libe¬raria forças que, em tese, causariam prejuízos às economias nacionais. Os Estados nacionais territoriais - inclusive os países mais ricos, quando percebem seus interesses nacionais contrariados, clamam por regras. É no inte¬rior desse quadro que se vêm estruturando organizações internacionais que procuram regulamentar os fluxos econômicos.
Do GATT à OMC: um percurso espinhoso que se dirige ao desconhecido
Em 1948, período de esgotamento da Segun¬da Guerra Mundial, o cenário mundial (não era bem a escala mundial, mas sim Europa ocidental e EUA) favorece a busca da eliminação de qual¬quer tipo de conflito. Afinal, a tragédia estava vertendo sangue naquele momento e os custos para remover as ruínas e erguer um novo siste¬ma econômico se anunciavam astronômicos.
Para se dinamizarem, as economias depen¬diam de relações econômicas para além da escala nacional. Dependiam da remoção dos protecionismos, uma chave importante para a interpretação dos conflitos e das proposições para resolver a questão dos fluxos econômicos internacionais.
Leia atentamente o texto informativo sobre os organismos econômicos internacionais na página 34 do caderno do aluno. Nele encontra-se um panorama sinté¬tico dos caminhos percorridos nos últimos 50 anos para se estabelecer meios e regras na or¬dem dos fluxos econômicos mundiais.
Num mun¬do de menores desigualdades econômicas - mundo que não existe – os países buscam um bem comum através de acordos, tratados, san¬ções, punições e protecionismos. Os países se movem pela lógica geopolítica. As referências e os objetivos a serem alcançados por cada país são os interesses de cada um. Agindo assim, não é mais fácil chegar à guerra do que à har¬monia?
Algo espe¬cífico, que une as relações econômicas e a Geopolítica, se encontra no texto e deve ser notado para desenvolver-se uma linha de raciocínio: o acordo comercial (GATT) foi concebido para promover a paz e combater o protecionismo, que é o "promotor da guerra". Para o horror dos economistas, a vida real, nesse caso, invade a lógica econômica. O que é o protecionismo comercial? E por que isso causaria guerra? Se proteger pode causar a guerra, nesse caso, a proteção ganha o sentido de agressão. Não é interessante? Vale raciocinar so¬bre isso, refletindo sobre o caso atual que o texto destaca no seu final: os EUA e a União Européia praticam o protecionismo em relação à sua agricultura, pois temem a cir-culação mais livre dos produtos agrícolas dos países emergentes e pobres, o contrário da filosofia que estaria na base da fundação da OMC.
1. A mudança das distâncias geográficas e os processos migratórios
Geografia – 1ª. Série – EM
Em Geografia, pode-se afirmar que a globalização diz respeito à construção de novos espaços e novas relações sociais desenvolvidas no mundo. Trata-se de uma nova configuração geográfica que se superpõe aos territórios nacionais, por vezes conflituosamente, outras em harmonia. Isso pode significar mudanças importantes nos próprios Estados nacionais com a presença, em seus territórios, de pontos de rede de corporações transnacionais e de redes técnicas, propiciando um aumento extraordinário da circulação de capital, de bens industrializados, de serviços e informações produzidos na escala mundial.
Essa agilidade da circulação se dá porque os espaços globais são suportes ativos dos processos socio
econômicos que ocorrem na escala mundial. Esses negócios são alimenta¬dos pelo que há de mais avançado em tecnologias de produção e de circulação. Assim, es¬ses espaços da globalização se realizam como expressões geográficas da nova ordem mun¬dial. Vamos desvendar a lógica desses espaços que, fundamentalmente, se estruturam em forma de redes; conhecer os ritmos de suas relações, cada vez mais aceleradas e; identificar os principais agentes que os alimentam, como as corporações transnacionais.
Vamos começar com a formação populacional brasileira, mais especificamente, a contribuição dos processos migratórios estrangeiros. Que grupos vieram e para onde foram no território brasileiro? Quando? Qual a distância que esses imigrantes percorreram e as condições em que viajaram? Quanto tempo as viagens duraram? Vamos trabalhar com um caso expressivo, em razão da grande distância geográfica envolvida: a migração japonesa para o Brasil.
O Brasil é o país que tem a maior comunidade japonesa no exterior (exterior porque estão fora do Japão). São 1.500.000 pessoas entre japoneses e seus descendentes. Isso é resultado de uma onda imigratória proporcionada pelo Trata¬do de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, assinado em 05/11/1895. De 1908 a 1941, migraram para o Brasil 188.986 japone¬ses. Esse fluxo foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial e retomado nos anos 1950, quando vieram mais 53.555 imigrantes.
Eram 52 dias de desgastante viagem de navio. Se um imigrante não gostasse do que encontrou, dificilmente poderia "bater em retirada" e retornar à sua terra natal. Retornar apenas para visitar o Japão, durante muito tempo, não foi algo possível para muitos. Era muito caro percorrer uma distância geográfica tão grande.
A distância é 18.550 km; significa 55 dias de navio. Hoje, corresponde a 24 horas de vôo de avião. Em termos gerais, para as populações atuais desses dois países, essa mesma distância é ou¬tra, tem outro significado em suas vidas.
O que aconteceu para mudar radicalmente o sentido desses 18.550 km? Uma aceleração no percorrer da distância geográfica. Uma aceleração dada pelo desenvolvimento e pelo acesso a novos meios tecnológicos que fizeram o espaço geográfico ser outra coisa; uma ace¬leração que altera as relações entre essas duas sociedades (Brasil ↔ Japão).
A situação se inverteu: agora são 225.000 brasileiros que estão trabalhando no Japão. Estão impossibilitados de voltar se não gos¬tarem? Podem visitar os parentes que ficam no Brasil com regularidade? Esses parentes podem ir até eles? Eles são imigrantes, como os japoneses do início do século XX, que esta¬vam trocando definitivamente de vida?
A visão anterior sobre a migração estrangeira era marcada pela visão de atitude definitiva. A quebra da rigidez da migração, hoje, transformou em algo mais temporário, transitório, e isso se deu em função da no¬vas condições de mobilidade do ser humano, um produto da aceleração dos fluxos.
Observe o mapa “As migrações, final do século XX” na página 5 do caderno do aluno. Vamos aproveitar o mapa para exercitar a linguagem cartográfica, chamando a atenção para algumas características dele:
a) a projeção cartográfica: os mapas são planos e a superfície terrestre é curva. Não há meios de se colocar no pla¬no as dimensões - formas, extensão e distância – da superfície terrestre (por exemplo, dos blocos continentais). Por isso, todos os mapas possuem deformações. É importante saber quais são essas deformações. A transposição do espaço curvo para o plano se faz com as chama¬das projeções cartográficas. Por exemplo: nesse mapa, a projeção cartográfica é a de Bertin. Com ela, o autor conseguiu manter a extensão e as formas das terras emersas (fora da água). É uma projeção boa para mostrar que, as relações humanas e seus bens (os fluxos) estão muito intensas;
b) o mapa para ver: onde estão os maiores fluxos de imigrantes, mas isso num bater de olhos? Essa identificação é simples e óbvia. Não haverá necessidade de se con¬sultar a legenda. A comunicação desse mapa é feita por sua imagem em conjunto: é um mapa para ver. As setas indicam direções e esse símbolo é universal. A largura das se¬tas comunica visualmente a maior ou me¬nor quantidade do fluxo. Mas, além das setas, o mapa traz outra informação visual. Os países estão coloridos de cinza ou de tons de rosa (mais fracos e mais fortes). Essas tonalidades de cor significam menor ou maior presença de imigrantes na formação da população dos países. Elas criam uma ordem entre os países nesse aspecto. Por exemplo, na atual formação da população brasileira, há menos imigrantes, proporcionalmente, do que na formação populacional dos EUA;
c) a representação dinâmica e ordenada: por intermédio de linhas (setas), esse tipo de representação mostra o movimento dos fluxos no espaço terrestre de imigrantes no final do século XX. Por mostrar esse movimento, ela é chamada de representação dinâmica, adequada para representar fluxos. E por intermédio do tom de cinza e dos tons de rosa cria-se uma ordem entre países que têm mais e que têm menos imigrantes na composição das suas respectivas populações, por isso, essa dimensão do mapa é chamada de representação ordenada;
d) a variável visual tamanho e variável visual valor: o mapa repre¬senta dois fenômenos:
1) o fluxo migra¬tório e sua dinâmica espacial. Porém, es¬ses fluxos são de diferentes quantidades. Como expressar isso visualmente? Por meio da largura (tamanho) das setas. Essa é a variável visual tamanho, essencial na cartografia para representar a proporcio¬nalidade entre as coisas. Por isso, quando se vê um mapa bem feito, essa proporcio¬nalidade se imprime imediatamente em nossos olhos;
2) a participação na composição da população dos imigrantes segundo classes, fenômeno representado por meio da variável visual valor, onde tonalidades da cor do mais escuro para o mais claro expressam valor da cor. Essa relação é direta para nosso olhar.
Interpretando o mapa, as localidades no planeta que estão recebendo os maiores fluxos migratórios no momento são EUA (bem a frente de todos), Europa Ocidental e Golfo Pérsico. Os principais fluxos, como os do México e da América Central para os EUA, possuem direção sul para norte. Há fluxos também do Sudeste Asiático para os EUA, da África para a Europa e assim por diante. Essa evidência indica fluxos do sul para o norte, que na verdade expressam fluxos dos países pobres para os países ricos. A maior mobilidade dada pelas novas condições espaciais gera outros fluxos inusitados, alguns temporários, como da Índia para Dubai (grande cidade na entrada do Golfo Pérsico). Algumas das áreas que atualmente recebem os maiores de imigrantes, como a América do Norte e a Europa, já têm uma participação expressiva de imigrantes no conjunto de sua população. Algumas outras, como a Austrália, que também estão nessa condição, já não recebem mais fluxos vigorosos de imigrantes. Embora tenhamos ouvido a história de que o Brasil é um país formado por imigrantes, considerando a segunda metade do século XX, deixamos de estar envolvidos de modo importante no conjunto das correntes migratórias internacionais. Isso se revela pela baixa participação dos imigrantes no conjunto da população e pelo volume atual dos fluxos que envolvem nosso território.
Veja os grandes sistemas (movimentos) migratórios contemporâneos, que devem-se à pobreza, a fenô¬menos de proximidade geográfica e a liga¬ções históricas:
- Os sistemas sul para o norte, que drenam a maioria dos imigrantes (normalmente em busca de melhores condições econômicas);
- Refugiados do Norte da África para a França, em função das ações do Magreb (grupo ligado à rede terrorista islâmica liderada pelo saudita Osama bin Laden, na região de Cabília - cidade 70 km a leste de Argel, a capital da Argélia, na África);
- Antigo império das Índias para a Inglaterra;
- Turquia para Alemanha.
- Europa do Leste envia imigrantes, mas também os recebe;
- Índia - Paquistão para países petroleiros do Oriente Médio;
- América do Sul e Central para os EUA.
O mapa de fluxos migratórios nos dá uma visão atual do volume e das direções das correntes migratórias internacionais, assim como a participação dos imigrantes na composição geral das populações dos países.Mas não é possível, por meio dele, concluir sobre a aceleração dos fluxos em relação aos movimentos migra¬tórios ao longo do século XX. Houve expressivo au¬mento do fluxo migratório dos anos 1960 para nossos dias em certas regiões do mundo: EUA, Europa Ocidental etc. em escala planetária entre os Esta¬dos modernos. As direções geográficas desses fluxos, a mudança dessas direções, o volume quantitativo desses movimentos e alteração contemporânea desses volumes implicam numa aceleração dos fluxos e em formas mais acessíveis de administração das distâncias ge¬ográficas (fase descritiva do processo).
Observe o gráfico “Evolução dos efeitos de migrantes, 1910-2000” na página 8 do caderno do aluno. Ele nos mostra apenas uma evolução, no tempo, dos países recebendo imigrantes, mas não nos dá os fluxos, a dinâmica espacial direta e integralmente. O gráfico mostra que houve expressivo aumento do fluxo migratório dos anos 1960 para nossos dias em certas regiões do mundo: EUA, Europa Ocidental, etc. Essas representações visuais de qualidade formam imagens sobre os fluxos migratórios em escala planetária entre os Estados modernos: as direções geográficas desses fluxos; a mudança dessas direções; o volume quantitativo desses movimentos; e alteração contemporânea desses volumes, o que implica numa aceleração dos fluxos e em formas mais acessíveis de administração das distâncias geográficas (fase descritiva do processo).
Problematizacão dos fluxos migratórios internacionais: aceleração e fechamento de fronteiras
É muito comum atualmente falar de ace¬leração da história. Os eventos humanos se precipitam mais velozmente e as transforma¬ções históricas são mais rápidas. Desde que o ser humano se sedentarizou no neolítico, ele nunca se moveu tanto como agora. E esse aumento de mobilidade geográfica está asso¬ciado à aceleração da história. O aumento da mobilidade geográfica de bens, de mercado¬rias e pessoas é a globalização das relações humanas, cujo potencial transformador já demonstrou seu poder, embora muito ainda esteja por acontecer.
Nesse novo cenário, um famoso historia¬dor costuma afirmar: o documento mais im-portante nesse mundo globalizado não é a carteira de identidade e sim o passaporte. E isso nos dirige para a reflexão sobre os fluxos migratórios internacionais contemporâneos. Veja as características das migrações internacionais contemporâneas na página 10 do caderno do aluno.
Duas condições para que as imigrações se acelerem:
1. é mais fácil viajar, pois os meios são mais efi¬cientes e os custos mais baratos e;
2. pode-se fazer experiências temporárias.
Porém, há restrições político-sociais ao processo mi¬gratório. Por isso, o que menos circula no "mundo globalizado" são as pessoas. Mes¬mo assim, as migrações cresceram bastante em comparação com o passado:
a) No início do século XXI, o fechamento das fronteiras fez aumentar o número de clandestinos, o que é difícil de estimar. Por exemplo: seriam uns sete milhões nos EUA;
b) Para os países de origem, as consequên¬cias são por vezes negativas, como por exemplo, no caso da fuga de cérebros (pessoas com grande potencial – por exemplo, sua inteligência – e que acabam usando isso em outro lugar, não no seu país de origem);
c) As consequências são positivas para gru¬pos que permanecem, em razão da remes¬sa de recursos: em 2005 foram 225 bilhões de dólares, o que representa mais que a ajuda oficial direta para o desenvolvimen¬to de alguns países. Por vezes, um imigrante sustenta, em média, dez pessoas.
2. A globalização e as redes geográficas
Quando se fala em globalização, é possí¬vel se entender várias coisas, mas há uma que todos entendem: existe uma presença muito maior do mundo em cada localidade. Isso se expressa pela enorme presença de produtos de diversas partes do mundo e também pelo número elevado de informações sobre o mundo. Parte expressiva do que ocorre, do que se faz, do que se pensa em outras localidades pertence agora a nossa realidade.
Há uma nova organização do espaço geográfico que permite que o mundo esteja aqui e que estejamos no mundo e que a ele pertençamos. Essa nova organização permite que os fluxos se acelerem. E essa nova ordem geográfica é uma ordem de redes geográficas. Palavras-chave na Geografia, como espaço e território, hoje, devem ser acompanhadas por mais uma da mesma importância, a rede geográfica, que é a forma principal dos espa¬ços da globalização.
Os territórios nacionais possuem frontei¬ras, distâncias geográficas, culturais, políticas e econômicas diversas, mas o contato entre suas populações é cada vez mais intenso e isso se dá por meio de um "concorrente" do território: a rede geográfica. A rede geográfica tem o poder de ultrapassar as fronteiras nacionais. Existiria exemplo mais acabado dessa nova realidade do que a rede técnica mundial da in¬ternet?
Veja os mapas “Internautas, 1991-2006” e “Mundo: posse de computadores pessoais no mundo, 2002”, nas páginas 13 e 14, respectivamente. São mapas quantitativos que fazem uso da variável visual tamanho, mapas para ver, pois devido à força expressiva da imagem, qualquer pessoa que os veja, vai perceber que o fenômeno representado é mais relevante nos EUA mesmo sem sa¬ber de que fenômeno se trata. “Internautas” é um mapa ordenado que faz uso da variável visual valor (tonalidades de uma única cor, no caso o marrom). As tonalidades mais escuras expressam um número maior de internautas (usuário individual) em grupos de 100 habitantes (o valor mais elevado é de 87,7 por 100) e as mais claras, o contrário. O mapa é acompanhado por um gráfico evolutivo e quantitativo que, por sua vez, faz uso da variável visual tamanho e mostra o crescimento do número de internautas no período de 1991-2006, indicando também o número de vezes que o volume de internautas foi multiplicado. O mapa “Mundo” tem uma força comunicativa poderosa e ao mesmo tempo revela de forma aguda certos fenômenos geográficos.
Ao examinar essa representação, é interessante ter ao lado um mapa mundi convencional. Para definir o tamanho dos continentes, utilizou-se uma métrica numérica, uma medida que não é a convencional com base em km2. Não foi uma métrica territorial. Essa anamorfose sobre a posse de computadores pes¬soais poderia não comunicar grande coisa se não tivéssemos todos, uma familiaridade muito grande com as formas convencionais do mapa mundi. Mas como a temos, logo percebemos a força comunicativa das defor¬mações.
A linguagem das representações cartográficas foi uma preparação para a exploração cognitiva delas em conjunto. Afinal, elas, cada qual à sua maneira vão dar uma idéia dessa inovação revolucionária na vida humana e na estruturação dos espaços geográficos graças à rede técnica mundial da internet.
Redes geográficas: o espaço de ação das corporações transnacionais
Vamos esclarecer um dos enigmas da globalização e do mundo contemporâneo: a diferença entre termos que parecem ter o mesmo significado. Entre empresa e corporação a diferença é: uma corporação é um grupo que reúne várias empresas de diversos ramos e que concentra muito capital e interesses sob um único controle. Há cor¬porações que têm empresas que atuam no ramo do petróleo, no industrial, no agronegócio, no sistema financeiro e na produção de filmes para cinema e televisão, por exemplo. Isso só explica que, quan¬do os lucros crescem, os grupos econômicos vão diversificando seus negócios e suas localizações, a fim de garantir maiores lucros. A empresa é individual, só atua em um ramo.
Mas o que significa essa diferença entre uma multi nacional e uma trans nacional? Observe o esquema simples da página 18 no caderno do aluno. Observem especialmente a presença e o papel das corporações trans¬nacionais no esquema. Que espaços, de fato, são aqueles em que as corporações baseiam suas atividades? Serão os espaços nacionais (territórios nacionais) convencionais? As corporações econômicas mais poderosas transcendem os espaços nacionais e criam um espaço global com base numa malha de redes técnicas e geográficas.
Um autor importante pode ser citado nes¬se momento. Trata-se do geógrafo brasileiro Milton Santos:
"O interesse das grandes empresas é economizar tempo, aumentando a velocidade da circulação [...] Corporatização do território é a destinação prioritária de recursos para atender as necessida¬des geográficas das grandes empresas."
SANTOS. Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo - razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2008. p. 270.
Os fluxos de mercadorias, de serviços, de informações circulando rapidamente pe¬las redes técnicas (transportes e teleco¬municações) no mundo todo permitem o acesso a vastos mercados (e muito mais). As corporações que têm acesso, controle e investimento nessas redes técnicas obtém desse fato uma grande dose de poder econômico.
O prefixo multi significa muitos. Assim, multinacional é uma empresa que opera em vários países, constituída por grandes aglomerados industriais e financeiros. E transnacional? Transcender significa ultrapassar, ser superior. Assim, transnacional é uma empresa que ultrapassa os limites do país em que tem sua sede: está sediada num país e opera a produção ou parte dela em outros. Os dois conceitos se completam: grandes empresas que estão sediadas nos países desenvolvidos e operam ou controlam a produção nos países subdesenvolvidos. O termo global (globalização) refere-se a um processo em andamento, pois na verda¬de há muitas áreas ainda fora desse processo (as regiões em branco, os clarões), que sofrem uma “marginalização” em relação à globalização. Essas áreas "fora do eixo" da globalização foram designados como os deserdados da ordem mundial, áreas onde justamente registram-se eventos trágicos, guerras civis e conflitos regionais, tema estudado anteriormente.
Um exemplo de funcionamento de uma rede geográfica em outro cenário, muito útil para compreender o funcionamento das redes na escala mundial, é a cidade de São Paulo. Essa me¬trópole sofre desde os anos 1980 uma profunda reestruturação no seu espaço geográfico: seu território está "invadido" por redes geográficas que se estruturam do seguinte modo:
• Pontos: habitações em condomínio fechado ↔ centros administrativos isolados também em formato de condomínio fechado ↔ centros comerciais (shopping centers, hipermercados) fechados e protegidos ↔ outras instalações do tipo (hotéis, resorts urbanos).
• Linhas: vias expressas, avenidas, cuja circu¬lação é predominantemente automobilística.
Os usuários dessas redes geográficas pro¬curam concentrar o fundamental de suas vi-das em seu interior: residência, abastecimento, trabalho, estudos, lazer etc. E se possível, rara¬mente saem da rede, evitando assim o território pleno da cidade. Pesquisas mostram o número impressionante¬mente alto de habitantes da cidade que jamais foram ao seu centro histórico, jamais usaram transporte coletivo e jamais andaram a pé.
Há um custo financeiro para viver nessa rede protegida e ele não é baixo, o que resulta numa "seleção social” e diminui as trocas e as relações entre a população da cidade, em vista dessa separação (segregação?) sofisticada, na sua geografia. As trocas, as relações sociais desses usuários e construto¬res de redes se dão quase que somente entre eles. E o que isso tem a ver com as redes geográficas de escala mundial, construídas e alimentadas pelas corporações transnacionais?
Mais de 50% da circulação de capitais, de bens de produção, de serviços, de tecnologia que as corporações transnacionais põem em movimento ocorrem internamente às suas pró¬prias redes. Outro ângulo dessa lógica: 30% das exportações mundiais são trocas no interior das redes das corporações. É uma movimentação econômica que não se irradia para os territó¬rios dos países onde elas não instaladas.
Essa radiografia geográfica da estruturação transnacional das corporações revela:
1. a im¬portância das redes geográficas na globalização que se constrói;
2. um pouco das estratégias e do poder dessas grandes empresas.
Muitos da¬dos econômicos podem ser alinhavados para dimensionar mais amplamente a ação das corporações, mas eles poderão ganhar mais signi¬ficado se sua lógica espacial for considerada.
3. Os grandes fluxos do comércio mundial e a construção de uma malha global
O comércio é por definição uma forma de relação humana que implica colocar em contato grupos sociais diferentes. Na origem da história humana para um grupo A interessava obter de outros grupos aquilo que não se con¬seguia produzir, aquilo que somente outros grupos possuíam. Esse gênero de relação exigia estender relações sobre espaços mais amplos, obrigava a abrir caminhos, rotas e construir portos, estimulava a criação de novos meios de transporte e impunha a criação de estruturas para os comerciantes. Como se vê, o comércio é uma atividade humana produtora de novos es¬paços humanos e uma atividade que ensinou o ser humano a lidar com a distância geográfica.
No mundo contemporâneo tudo isso in¬tensificou extraordinariamente. Com os no¬vos meios disponíveis, as atividades comer¬ciais aumentaram o poder de uma das forças propulsoras da "fabricação" de novos espa¬ços e do aperfeiçoamento dos meios de supe-ração da distância entre as realidades geográ¬ficas.
Vamos pensar nas marcas de produtos comerciais que frequentam nosso dia-a-dia. Qual a origem nacional da marca? Numa série de produtos (roupas, calçados e eletrônicos, por exemplo) onde é a localidade da fabrica¬ção? São duas coisas diferentes: um produto pode ter uma marca de origem americana e ser produzido na China. Uma marca pode ser francesa e seu produto pode ser, ao menos em parte, produzido no Brasil.
Isso revela a complexidade das relações atuais, num mundo globaliza¬do, embora uma relação comercial, ao pé da letra, resuma-se à saída do local de pro¬dução (ou ponto de venda) até o ponto do consumo.
Os fluxos de produtos que chegam até nós vêm do mundo, de um sistema produtivo e comercial que se organiza na escala mundial, não somente dos nossos vizinhos, do mundo ocidental ou do extremo oriente.
O comércio como acelerador dos fluxos; aceleração dos fluxos intensificando o comércio
O mundo contemporâneo é complexo. Isso não quer dizer complicado, como é comum se pensar. Complexo significa que cada realidade isolada é sempre produto do conjunto da realidade total, ou das diversas realidades em relação. Durante os últimos 50 anos as exportações mundiais aumentaram em volume, nove vezes mais rápido que a produção mundial. Produz-se mais, mas se comercializa entre países muito mais ainda. Quer dizer que boa parte da produção antigamente circulava mais no interior dos pró¬prios países onde eram produzidas; hoje a produção circula muito mais numa escala geográfica mais ampla: circula o mundo.
O comércio não cresceu por si só, porque tem mais gente com¬prando bens. O comércio cresceu porque uma série de eventos e transformações cruzadas nes¬se nosso mundo propiciaram essa condição (e que já estudamos): a aceleração dos fluxos, as redes técnicas, a força das transnacionais e suas redes geográficas, a geopolítica, a ordem mundial e a ação das potências, que permitiram nesses últimos 50 anos que os mercados nacionais nada mais fossem que "seções" de um único e imenso mercado mundial. Outros exemplos de eventos que propiciaram o crescimento do comércio: desenvolvimentos tecnológicos, a multiplicação dos meios de compra e informação sobre os produtos, o afrouxamento das fronteiras dos Estados nacionais territoriais etc.
A imagem dos fluxos comerciais no mundo contemporâneo é forte. Nunca o planeta pareceu tão pequeno, tal a dimensão dos fluxos e as distâncias que eles percorrem. Longos trajetos, outrora feitos apenas por aventureiros, atualmente são as principais rotas comerciais do mundo. Rotas oceânicas percorridas por navios que ancoram em portos, abarrotados e congestionados de mercadorias, e rotas aéreas que chegam em pontos antes inalcançáveis resultam da busca desenfreada por novos mercados, por novos consumidores.
O comércio, obviamente, não ocorre somente na escala mundial, isto é, na relação entre continentes e países diferentes. Os fluxos ocorrem internamente dentro de uma região, numa escala inferior: produção no país/continente e consumo no país/continente.
O grande desafio da cartografia contemporânea não é localizar com precisão fenômenos geográficos, pois isso já está pronto e atualizado pelas imagens de satélite; o grande desafio está em conseguir expressar visualmente as relações espaciais que se desenvolvem num mundo cada vez mais complexo, ou seja, a utilização da linguagem. Para se produzir um mapa, antes de tudo, é preciso ter acesso às informações, à base de dados que será objeto da representação. Na cartografia temática contemporânea, há uma tendência em se preferir as projeções do tipo da de Buckminster Fuller ou a de Bertin para a representação de fluxos comerciais (lembre-se do mapa do tema 5, dos fluxos migratórios). Elas aproximam os blocos continentais, eliminam as imensas distâncias oceânicas e dão uma idéia mais expressiva e real do que são os fluxos no mundo contemporâneo. Projeções como a de Peters ou a de Mercator têm uma proeminência muito grande dos oceanos e expressam visualmente distâncias longuíssimas entre o extremo da Ásia e as Américas, por exemplo. A seta é compreendida, universalmente, como símbolo gráfico adequado para representara direção dos fluxos, pois permite expressar quantidade com a manipulação de seu tamanho (largura). Setas largas estarão representando fluxos de maior quantidade; mais estreitas, o contrário. Definir símbolos de comunicação não dá margem a diferentes interpretações. O que se vê tem sempre que ter sempre um único significado. Os blocos continentais no fundo do mapa devem ter uma única cor para todos. Uma cor leve e neutra para não ofuscar as setas. Define-se uma única cor para as setas e elas não podem se sobrepor umas às outras. Se fossemos montar um mapa com o tema “Comércio mundial de mercadorias”, constariam dados do comércio que poderiam ser representados cartograficamente em quadrados ou círculos (quanto maior, significa maior o volume negociado) ou por setas, e os números poderiamos colocar em uma legenda (resultando em uma representação quantitativa, pois apresenta números).
Hoje, os fluxos mais importantes no comércio mundial de mercadorias estão entre a Ásia e a América do Norte, entre a Ásia e a Europa Ocidental e entre a América do Norte e a Europa Ocidental. O fluxo da Ásia para a América do Norte é maior, mesmo com a imensa distância oceânica (que foi superada por conta da globalização, que encurtou as distâncias, realidade no mundo contemporâneo). O fluxo gira em torno da América do Norte, Europa e Ásia, mas os maiores fluxos ocorrem entre os países desenvolvidos para os subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias). Já os menores fluxos estão entre os próprios países subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias).
A Ásia aumentou significamente suas exportações, principalmente para os EUA e Europa e se consolidou como um grande pólo exportador. Muitas transnacionais, que normalmente tem sede nos EUA e Europa, começaram a produzir nos países deste continente (China, por exemplo), para baratear a produção. E a mão-de-obra é farta e barata, aumentando a produção em grande escala e negociação de seus produtos por preços mais baixos. Os EUA são o maior comprador nesse tipo de relação e isso é uma participação fundamental, pois esse país é um grande mercado. Seu papel, como exportador, é um pouco menor, o que contraria uma visão de país forte (aquele que mais vende e que menos compra). Mas essa visão não corresponde ao modo como a economia global se organiza atualmente. Nesse modelo, importação e exportação não têm o mesmo peso de épocas anteriores. Por isso, os EUA não perderam sua importância no comércio internacional. O peso do comércio em escala regional (no mesmo continente, país ou região) ainda é grande, mas o comércio entre os continentes, ou seja, escala global (inter-região) está crescendo cada vez mais.
4. Regulamentar os fluxos econômicos na escala mundial: é possível encontrar um bem comum?
A mobilidade humana ampliou-se, não há dúvidas. Na escala mundial as relações da globalização articulam uma malha de redes geográficas, alimentadas por redes técnicas, que se constituem numa nova configuração geográfica, acelerando impressionantemente os fluxos de bens econômicos e de pessoas. É certo que os bens econômicos (mercadorias, capitais, serviços, informações) circulam com muito mais desenvoltura nessa dimensão glo¬bal do que os seres humanos. Mas também há constrangimentos na circulação dos fluxos econômicos. Aliás, mais que constrangimentos: há conflitos.
Vale relembrar uma razão: a ordem mun¬dial existente se estrutura no interior da relação entre os países. No entanto, essas relações são desiguais:
1. alguns países são potências que atuam agressivamente;
2. agora há tam¬bém corporações privadas bem mais pode¬rosas que muitos países;
3. de modo geral, os fortes e os fracos nessa ordem só têm uma referência ao relacionar-se, que são seus pró¬prios interesses. E sem dúvida isso vai signi¬ficar problemas para a livre circulação dos bens econômicos; aliás, essa livre circulação dos bens econômicos vai significar proble¬mas para cada país.
A regulamentação dos fluxos econômicos mundiais é objeto de muitos debates, pois há muitas críticas sobre a globalização que libe¬raria forças que, em tese, causariam prejuízos às economias nacionais. Os Estados nacionais territoriais - inclusive os países mais ricos, quando percebem seus interesses nacionais contrariados, clamam por regras. É no inte¬rior desse quadro que se vêm estruturando organizações internacionais que procuram regulamentar os fluxos econômicos.
Do GATT à OMC: um percurso espinhoso que se dirige ao desconhecido
Em 1948, período de esgotamento da Segun¬da Guerra Mundial, o cenário mundial (não era bem a escala mundial, mas sim Europa ocidental e EUA) favorece a busca da eliminação de qual¬quer tipo de conflito. Afinal, a tragédia estava vertendo sangue naquele momento e os custos para remover as ruínas e erguer um novo siste¬ma econômico se anunciavam astronômicos.
Para se dinamizarem, as economias depen¬diam de relações econômicas para além da escala nacional. Dependiam da remoção dos protecionismos, uma chave importante para a interpretação dos conflitos e das proposições para resolver a questão dos fluxos econômicos internacionais.
Leia atentamente o texto informativo sobre os organismos econômicos internacionais na página 34 do caderno do aluno. Nele encontra-se um panorama sinté¬tico dos caminhos percorridos nos últimos 50 anos para se estabelecer meios e regras na or¬dem dos fluxos econômicos mundiais.
Num mun¬do de menores desigualdades econômicas - mundo que não existe – os países buscam um bem comum através de acordos, tratados, san¬ções, punições e protecionismos. Os países se movem pela lógica geopolítica. As referências e os objetivos a serem alcançados por cada país são os interesses de cada um. Agindo assim, não é mais fácil chegar à guerra do que à har¬monia?
Algo espe¬cífico, que une as relações econômicas e a Geopolítica, se encontra no texto e deve ser notado para desenvolver-se uma linha de raciocínio: o acordo comercial (GATT) foi concebido para promover a paz e combater o protecionismo, que é o "promotor da guerra". Para o horror dos economistas, a vida real, nesse caso, invade a lógica econômica. O que é o protecionismo comercial? E por que isso causaria guerra? Se proteger pode causar a guerra, nesse caso, a proteção ganha o sentido de agressão. Não é interessante? Vale raciocinar so¬bre isso, refletindo sobre o caso atual que o texto destaca no seu final: os EUA e a União Européia praticam o protecionismo em relação à sua agricultura, pois temem a cir-culação mais livre dos produtos agrícolas dos países emergentes e pobres, o contrário da filosofia que estaria na base da fundação da OMC.
Postado por
PROFESSOR MARIO
às
08:40
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